Petição contra a construção de um parque subterrâneo na Praça do Príncipe Real



Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Exma. Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa

Exmo. Senhor Secretário de Estado da Cultura


Quando todos pensávamos que nunca mais ouviríamos falar da construção de parques de estacionamento subterrâneo em redor do Jardim do Príncipe Real, desde que há cerca de 13 anos a população repudiou semelhante construção, eis que fomos surpreendidos por sondagens ao subsolo, com vista ao arranque das obras de construção de um parque em tudo semelhante ao que fora então chumbado pelos moradores, pelo IPPAR e por vários especialistas em património, em ambiente e, não menos importante, em mobilidade e tráfego.

Por estarem em causa a integridade e a salvaguarda da Patriarcal, e respectivo sistema de condutas, parte integrante do conjunto uno que é o Aqueduto das Águas Livres, Monumento Nacional, mereceu o então projecto do parque subterrâneo parecer negativo por parte do IPPAR, assim como pelo executivo camarário de então.

Duplamente surpreendidos, por nada ter sido dito nem assumido publicamente pela CML, AML e Junta de Freguesia respectiva na altura própria, nem muito menos ter havido qualquer discussão pública acerca deste assunto, o que, dado o carácter intrusivo deste projecto a vários níveis, se nos afigura indecoroso e contrário às boas-práticas europeias de governança e participação dos cidadãos, de que a CML se diz paladina.

Considerando estarmos perante a construção de um parque de estacionamento em tudo, ou praticamente tudo, igual ao projecto em boa hora não aprovado em 2000-2001;

Considerando que não só não é respeitada a protecção associada ao Reservatório da Patriarcal do Príncipe Real, património classificado como Monumento Nacional, (Decreto n.º 5, DR n.º 42 de 19 Fevereiro 2002), uma vez que se a servidão da zona de protecção não interdita construção, ela deveria privilegiar usos compatíveis com a salvaguarda do reservatório e restantes galerias ou ramais do aqueduto, o que não se verifica; como também a segurança e estabilidade de um conjunto de edifícios centenários que bordejam a Praça, pois as alterações associadas à construção do parque são irreversíveis e não previsíveis ou estimáveis;

Considerando que tal construção, além disso, inviabilizará toda e qualquer candidatura do Aqueduto das Águas Livres a Património Mundial / UNESCO;

Considerando que a construção desse parque porá gravemente em risco o coberto vegetal de um Jardim Histórico, onde existem 7 exemplares classificados como de Interesse Público, alguns dos quais centenários e um inscrito nos Guiness, porque interferirá irreversivelmente com a circulação de água no solo, favorecendo a drenagem e a redução da água disponível a nível das camadas superficiais das quais depende a vegetação;

Considerando que não existe nenhum estudo de impacto de tráfego automóvel devido à existência de um estacionamento subterrâneo nesta Praça, numa zona já de si saturada de trânsito, com todas as consequências nefastas que daí advirão para os moradores (mesmo que se acene agora com cerca de 90 lugares para residentes…) e que, estando a Praça abrangida pela ZP do aqueduto das Águas Livres e pela ZEP do Bairro Alto, Declaração de Rectificação nº 874/2011, DR, 2.ª Série, nº 98, de 20-05-2011. Portaria nº 398/2010, DR, 2ª Série, nº 112, de 11-06-2010 pelo que intervenções nestas servidões deveriam privilegiar o contexto no qual se inscrevem o conjunto classificado e o monumento, a manutenção de usos compatíveis e o controle da pressão ou carga sobre os mesmos e não potenciar o oposto;

Considerando que, do mesmo modo que a abertura do parque subterrâneo na Praça de Camões em pouco ou nada beneficiou os moradores do Chiado e Bairro Alto, também este parque, a ser construído, em nada beneficiará os residentes;

Considerando que a existência do parque induzirá maior pressão sobre toda a zona colocando o jardim, em especial, em inevitável sobrecarga de tráfego, com implicações microclimáticas e de solo, interferindo de forma negativa com a qualidade ambiental, com sérias implicações a nível microclimático e edáfico (de solo);

Considerando que este projecto diz respeito à construção de 4 caves para estacionamento, com uma ou duas rampas de acesso para as ruas que acedem ao Príncipe Real, um elevador até à superfície, o previsível abate/mutilação de várias árvores no perímetro do Jardim (mormente nos topos norte e poente) e a construção de toda esta estrutura a pouco mais de 1 metro das galerias do Aqueduto das Águas Livres;

Considerando a poluição e degradação visual a que toda a zona ficará sujeita pela necessária instalação das bocas de entrada e saída do parque e respectivos pórticos;

Os abaixo assinados, moradores na zona do Príncipe Real, e demais cidadãos preocupados com a defesa e a preservação do património histórico, cultural e ambiental da cidade de Lisboa, alarmados pela notícia repentina e inquietante da retoma do projecto de construção de estacionamento subterrâneo no Jardim do Príncipe Real;

Manifestam o seu repúdio pela construção de todo e qualquer parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real, e apelam à Senhora Presidente da Assembleia da República, ao Senhor Presidente da CML, à Senhora Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, ao Senhor Secretário de Estado da Cultura e aos Senhores Deputados da AR e da AML para que ARQUIVEM DEFINITIVAMENTE tal pretensão do promotor, e antes incumbam os serviços camarários de encontrarem alternativas para a construção de parqueamento à superfície nas imediações, seja pela anunciada intenção de adaptar a silo automóvel as instalações d’ A Capital, seja por outra via.

A Plataforma:

Grupo de Amigos do Príncipe Real

Fórum Cidadania Lx

Liga dos Amigos do Jardim Botânico

Associação Lisboa Verde

Árvores de Portugal

Quercus Lisboa


Assinar: AQUI



quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Um Bom Sinal.

Demos nota aqui há tempos de mais um desastrado abate no jardim das Amoreiras que produziu o dano colateral que a imagem abaixo ilustra:
e tememos, face à prática corrente, que a pobre árvore que ficou tombada e dilacerada viesse a ter o mesmo destino que a sua vizinha.
Mas para meu grande espanto o que encontrei anteontem quando de novo visitei o jardim foi isto:
Será isto um sinal que algo está finalmente a mudar na atitude dos responsáveis pelos nossos jardins? Oxalá que sim e que esta nova atitude se generalize rapidamente entre todos os intervenientes dos espaços verdes.

terça-feira, 28 de Junho de 2011

Pó.

Bastam alguns dias de seca e algum vento para nuvens de pó se formarem no nosso jardim, que está a ficar num estado deplorável.
Se bem se lembram o vereador que tutela os espaços verdes afirmou aquando do último 'levantamento' popular contra o pó que esse fenómeno era passageiro, logo logo iria desaparecer com as primeiras chuvas.
Depois dessas temerosas declarações já passaram muitas chuvas e o pó esse está cada vez mais presente no Jardim.

 (clicar na imagem para a aumentar)
Nem sempre se tem a 'sorte' de fotografar uma nuvem de pó. A  que se observa nesta imagem não é, nem de longe, representativa das fortes nuvens que tem assolado o jardim nestes últimos dias.

Deixar um carro parado uns dias na orla Norte do jardim dá este resultado.

 
Aspecto de um banco na orla Norte.
 Pó branco e muito fino acumulado num candeeiro.
As plantas rasteiras sofrem
e as elevadas também.

Algo correu muito mal com este piso e não se vê como nem quando será emendado o erro cometido.

domingo, 19 de Junho de 2011

A torneira.

Antes da intervenção requalificadora a que o Jardim foi submetido esta torneira:


deitava água com fartura e ainda estava operacional, embora já apresentasse algum desgaste e dificuldade em se fechar.
Agora, já depois de ter sido 'reparada' duas vezes, não deita quase nada e para se fechar é preciso muita paciência, mas fica sempre a pingar (com alguma sorte, dando-lhe uma pancada,  consegue-se melhor resultado do que o ilustrado):

(clicar na foto para a aumentar)
A 'recuperação' do equipamento não passou por este bebedouro, pois, como se pode observar nesta foto antiga:
 
o bebedouro tinha duas taças, uma anterior e uma posterior, apresentado-se agora só com a anterior:



quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Minoru Nagashima, pintor do Jardim.


Minoru Nagashima - 稔長島  - o pintor do nosso Jardim.

terça-feira, 14 de Junho de 2011

sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Flora Garden

Findo que foi o ano após a conclusão da intervenção no jardim, ano durante o qual a manutenção do Jardim esteve entregue à Plantiagro - a própria sociedade vencedora do concurso da 'requalificação' - a CML entregou agora à Flora Garden essa manutenção, não renovando o contrato com a Plantiagro.
Fomos sempre muito críticos em relação à actuação da Plantiagro quer na fase de obra quer na fase da manutenção sem prejuízo do empenho demonstrado pelas senhoras jardineiras - uma só,  de cada vez - que tão bem e tão esforçadamente cuidaram do Jardim durante este ano.
Esperemos que o desempenho da Flora Garden não nos faça lamentar a saída da Plantiagro deixando desde já aqui um apelo para que coloque pelo menos uma/um jardineira/o a tempo inteiro a cuidar  do Jardim.