quinta-feira, 11 de março de 2010

As Três Mártires

Apesar de terem resistido sem o menor tremor aos vendavais do fim de Fevereiro que assolaram o País e Lisboa, não vão resistir às motos serras a mando da CML. É hoje, afinal, que vão ser condenadas.
Um pequeno pormenor anedótico: restam-lhes algumas horas de vida porque os responsáveis pelo abate não mandaram retirar com a devida antecedência os carros estacionados perto delas.
Quando se realizam filmagens, dias antes do seu início tomam-se as devidas medidas para desimpedir os locais. Aqui trazem-se as equipas para o abate esperando que os carros aí estacionados desapareçam por artes mágicas.

PS Esperemos que sejam só as três julgadas e condenadas pelo LPVVA

quarta-feira, 10 de março de 2010

É preciso fazer regressar o E-24!


Agradecem: Mobilidade, Turismo, Estética, Príncipe Real e Lisboa.

Asneira atrás de asneira



Foto nº 1



Foto nº 2



Foto nº 3 de Ernst Schade


No Jardim do Príncipe Real as asneiras sucedem-se umas às outras sem parar. Assistimos no passado dia 1 de Março à descarga dos lódãos-bastardos (Celtis australis) que irão ser plantados no lugar das abatidas árvores de alinhamento. Estes, como se pode observar nas fotos nº 1 e 2, foram transportados uns em cima dos outros e retirados para o chão com a ajuda de uma máquina. Aí estão, no chão, tombados e empilhados, há nove dias, ver foto nº3.

Destas árvores quantas irão vingar? Cremos que muitas delas não resistirão a este transplante. O torrão, i.e. a massa e volume de terra que trazem envolvendo as raízes, é muito pequeno, o que indica um sistema radicular muito diminuído. Se o transporte e manuseamento na descarga não foi o mais indicado, estarem há já nove dias deitadas umas sobre as outras também não as ajuda em nada, antes pelo contrário. A árvore jovem, como ser vivo que é, está já a tentar adaptar-se o melhor possível a essa estranha, para a sua natureza, posição, gastando preciosas energias em vão. E as raízes, em contacto próximo com o ar, estão expostas há tempo excessivo a variações rápidas de temperatura e humidade.

Os responsáveis pela intervenção no jardim querem atenuar a enorme asneira que fizeram ao abater todas as árvores de alinhamento, colocando agora estes lódãos-bastardos já crescidinhos, com uns três metros de altura. Mas estão a esquecer-se de um facto muito importante. É que estas árvores, as que vingarem, vão gastar meia dúzia de anos a tentarem adaptar-se ao novo ambiente, e durante esse período não vão crescer em altura, visto terem um sistema de raízes excessivamente pequeno para o seu tamanho. Este atraso será ainda mais agravado pelo abandono que aqui relatamos.

Desta forma, pouco adianta plantar árvores com já alguns anos de desenvolvimento em vez de acabadas de despontar, visto o resultado final ser o mesmo: só daqui a uns 15 a 20 anos é que elas atingirão um porte comparável às que foram abatidas. As que sobreviverem.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A morte das robínias




quinta-feira, 4 de março de 2010

A propósito das robínias:




O original deste importante, interessante e brilhante artigo pode ser consultado na edição de Março da revista 'Tempo Livre' do INATEL, ou descarregado aqui.

quarta-feira, 3 de março de 2010

LPVVA: dois documentos distintos mas o mesmo nº e a mesma data

O Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida produziu, a propósito das 10 árvores de alinhamento que ainda se mantém de pé na orla Poente do Jardim do Príncipe Real, duas informações com o mesmo número, nº 441, datadas ambas de 5 de Janeiro de 2010, mas com conteúdos diferentes. Na 1ª versão apontam-se duas das 10 árvores como representando perigosidade alta, na 2ª versão essas duas árvores passam a 3.
Não pomos em causa que tenha havido um engano na primeira versão da informação nº 441 de 5 de Janeiro. O que pomos em causa é que se produza um novo documento com o mesmo nº e a mesma data - o que infringe todas as regras da produção de documentação técnica - não se assumindo o erro cometido. Bastava fazer uma adenda ou rectificação da informação já publicada ou então produzia-se uma nova informação com novo número e nova data.
Consultar aqui a primeira versão da informação nº 441 e aqui a 2ª versão dessa mesma informação nº 441.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

State of the art












Parece que vai haver calcetamento. Mas essa zona não é jardim?



Fotos: LA

Os nomes das coisas!

Cara(o)s Amigas(os) do Príncipe Real,

No meio desta torrente de mensagens, não sei se haverá olhos para este escrito que, ainda por cima, nada tem a ver com comunicações sociais e similares.
Porém, arrisco. Mais uma vez:
Sempre. Sempre defendi que os pormenores são muito importantes, quer no trabalho, quer na vida. E quanto a estes, reporto-me aqui às nomenclaturas ou designações.
Um ror de indivíduos titulares na nossa administração pública, a soldo do (nosso) erário público passa as suas 24 horas diárias a tramar esquemas, artifícios e truques que engodem ou iludam o cidadão de boa-fé no sentido de o levar a morder o isco da fantasia e a cair no saco dos crédulos reconhecidos. Os objectivos ocultos e sinuosos destas intrujices abarcam normalmente dois tipos de lucro ou dividendos: o material, imediato e restrito quanto a beneficiários, e o político-partidário, mais lato e reforçador do seu establishment e crédito.
De entre as artimanhas usadas e no âmbito das obras públicas, desde há alguns anos que aqueles têm vindo a parir, subtilmente, novas designações para a face pública das suas intervenções físicas na urbe, adulterando os formulários e os conceitos técnicos de sempre em benefício de uma propaganda sedutora e de uma mentalização popular errónea. Tudo isto, sob o silêncio cúmplice e prostituído das elites gestoras das organizações/corporações técnico-profissionais da área (também estas já, maioritariamente, sob o domínio partidário).
Do que ao nosso caso respeita, sobressaem dois termos designativos, adoptados pela Câmara Municipal de Lisboa (e, suponho, pela Junta de Freguesia das Mercês).
São eles: Requalificação e Mobiliário.

Ora, não há projectos técnicos de Requalificação! Há projectos técnicos de Construção, de Remodelação, de Ampliação, de Reconstrução, de Reconversão e de Reabilitação. E há intervenções de Restauro e Conservação, elevadas a projecto ou não.
Estar a propagandear uma acção técnica futura como requalificação é estar a antecipar um pendor avaliativo e qualificativo a um produto que ainda não se conhece nem existe e que – sendo público – só a jusante, quando concluído e fruído poderá vir a merecer tal apodo pelo cidadão comum e utente ou, mesmo, pela comunidade em geral. Acontece é que, normalmente, estas obras resultam na TRANSFIGURAÇÃO do objecto das mesmas.
Mas, os tais indivíduos apostam na mentalização prévia do povaréu...

O Jardim do Príncipe Real não tem, nem nunca teve, mobiliário. Nele, só a extinta bibliotecazinha que, debaixo do Cedro do Buçaco, era guarnecida com uma dezena de cadeiras metálicas ligeiras. Porém, aquele estranho “restaurante” incrustado na área do jardim – talvez motel, qualquer dia – já terá algum mobiliário.
O que o Jardim do Príncipe Real tem é equipamento!
Equipamento fixo ou encastrado. Construído ou não no local.
O(s) bebedouro(s), os bancos, os recipientes do lixo, as mesas dos seniores, os escorregas e baloiços dos miúdos(as), as protecções metálicas dos canteiros, o pavilhão do jardineiro, etc., constituem o EQUIPAMENTO deste jardim.
Mobiliário é um conjunto de móveis. Ou seja, por definição etimológica, um conjunto de peças utilitárias mudáveis, alteráveis, inconstantes, volúveis.
O sofisma da designação por mobiliário, em vez de por equipamento é fácil de desmontar:
O uso do termo Mobiliário cria e acomoda na cabeça do cidadão o conceito figurinista de inovação, de criação, de evolução e de substituição habitual. E, de facto, uma das dezenas (?) de empresas satélites da C. M. L. está vocacionada para o negócio da substituição sistemática e atenta do habilmente designado “mobiliário urbano” de Lisboa (que também não existe)...

Portanto, Caros Amigos do Príncipe Real: NÃO ALINHEMOS COM ELES!
Alinhar nestes léxicos e conceitos é alimentarmos mais um esquema deles. É contribuirmos para reconhecer um ambiente translúcido, como suporte das nossas diligências.

O que, de facto, se vê acontecer no nosso Jardim é uma obra de Reconstrução ou de Remodelação.
O que é MAU!

O meu pedido de desculpas por este incómodo.
José Chamusco, Arquitecto.

Da minha consulta ao processo

Começo por agradecer a simpatia e a colaboração das pessoas que me atenderam nas instalações da Direcção Municipal de Ambiente Urbano, na Avenida 24 de Julho, Nº 171, até porque tive que consultar os dossiers na secretária de uma das simpáticas técnicas, pois não havia sala disponível para consulta, despejando-a. Pena que não tivesse sido a do sr. director.

Da minha consulta de ontem ao processo camarário Nº 15/09/DMAU/DGEP/DFCEP, referente à empreitada em curso no Jardim do Príncipe Real, de que fazem parte 5 dossiers + 1 "dossier verde", consultei 4 dos primeiros e este último.

Sobre o processo, quase nada de novo a acrescentar ao que já se sabia e de que os prezados amigos deste blogue já deram conta por diversas vezes. Apenas retive curiosidades:

1. O projecto total custa 1.150.000 €, repartidos por 850 mil/jardim e 300 mil/arruamentos. Uma barbaridade completamente tonta, ainda por cima envolvendo a "plantação" de candeeiros novos em vez de se porem lá os candeeiros do séc. XIX, de lâmpada Lisbonense, retirados há bem pouco tempo de zonas da cidade, como por ex. das Avenidas Novas ou do Bairro da Calçada dos Mestres, junto ao Aqueduto. Não entendo como é possível a CML abdicar de poupar, ainda por cima quando tem à sua disposição candeeiros genuínos do séc. XIX para colocar num jardim histórico. Não entendo.

2. Vi uma série de pareceres escritos do LPVVA, em catadupa, todos datados de Janeiro de 2010 (dias 5, 6 e 26) - havia uns de 1996 e 1997, completamente datados (outro sentido), portanto, posteriores ao abate, e dizendo respeito somente às árvores ainda ... de pé, ou seja, daquelas que ainda restam do lado do palacete que era do INETI. Sendo que apenas 1 delas é referida como sendo de perigosidade alta. Nem ali nem em nenhum outro documento vi uma alusão, sequer ténue, a uma possibilidade que me parece ciclicamente ignorada por estas bandas: tratamento de árvores doentes. Mau estado fitossanitário significa, cá pelo burgo, abate da árvore.

3. Na memória descritiva e nos relatórios preliminares há várias vezes a menção a que a característica do jardim é a de ser um espaço verde "fechado e cerrado", sendo o "estado sanitário razoável na generalidade", necessitando apenas de podas pontuais. Pelos visto, em 2009, data desses documentos, entendia-se que o jardim deveria manter essa característica. Hoje, todavia, a luz é o elemento central e foram abatidas 49 árvores, na sua maioria de médio e grande porte.

4. O único parecer da AFN que encontrei data de 22/2/2010 e, obviamente, reporta-se às árvores ainda de pé. Defende apenas podas de pequena cirurgia e o abate de 2 choupos no passeio pedestre nas proximidades dos 3 ficus macrophylla classificados.

5. No OF/98/09/DMAU/DEP é claramente garantido que os bancos não serão substituídos, pelo que espero que não se tenha entretanto voltado atrás, ou, pior, que os bancos retirados do local desapareçam. Aqueles bancos são bonitos e estão em bom estado.

A Carta de Florença

Para quem afirma, sem pejo, ter a intervenção em curso no Jardim do Príncipe Real seguido escrupulosamente o disposto na Carta de Florença deixo aqui em português e aqui em inglês essa carta para que a leiam e confrontem o que nela se preconiza e recomenda em relação às intervenções em jardins históricos, com o que está a ser feito no nosso Jardim.