terça-feira, 6 de abril de 2010

Um óasis verde?


Havia verdes relvas em torno do lago


Agora não vai haver mais relva.
Olaia junto ao lago. Fotografia de Lara Zee.


Olaia junto ao lago dias antes da intervenção.

onde estão as prometidas relvas?

Canteiro arrelvado já com marcas das máquinas pesadas.
O mesmo canteiro já com os arbustos que vão substituir a relva.

antes

agora

onde estão as relvas?

onde estão as prometidas relvas?

O que está a ser plantado em lugar da relva.

A pgs 128 do 'Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa' editado pela CML em Junho de 2009, pode ler-se no início do artigo dedicado ao jardim do Príncipe Real:
'Plantado entre 1859 e 1863 no cimo do Bairro Alto, em pleno Príncipe Real, este é um oásis de verdura e frescura no Verão, bem no miolo da cidade histórica, e inserido no espírito urbano de Lisboa.'
Sim de facto era essa a sensação do passeante que vindo do Chiado, atravessando o Bairro Alto, tinha ao chegar ao Príncipe Real: chegara a um oásis de verdura e frescura.
Mas não a vai ter mais. O Príncipe Real deixou de ser um jardim romântico com denso arvoredo e frescos e verdes relvados para se transformar num jardim mediterrânico, seco e desensombrado.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma triste farsa primaveril ...

Gil Vicente escreveria uma excelente Farsa em três actos sobre o que se passa no Jardim França Borges. Com o seu génio conseguiria certamente dar laivos de comédia ao não corta, corta, ao não planta, planta e logo desplanta, aos arrelvados que viram arbustos, enfim, à completa incompatibilidade entre o que é dito - e está no projecto - e o que é feito. Mas, infelizmente, o tratamento que tem sido dado às árvores ainda por plantar - mas já no jardim a aguardar a sua vez - nada tem de engraçado.

Já alertámos várias vezes para o abandono a que foram votados alguns lódãos-bastardos Celtis australis levados para o jardim há mais de um mês para substituir árvores cortadas nesta obra. Para que conseguissem resistir o melhor possível a este longo compasso de espera e singrar com vitalidade uma vez levadas para o seu local final, estes lódãos já deveriam ter sido envasados há muito, ou plantados provisoriamente, certamente logo após se ter percebido que não seriam plantados no local definitivo de imediato (1-2 dias). Já lá vai mais de um mês. 
 A Avenida das Tristes.

No final-de-semana de Páscoa, com a Primavera instalada, o tempo mais seco e quente, as árvores continuavam abandonadas, umas ainda tombadas, outras em fila, uma avenida de tristes. E a farsa torna-se em tragédia quando estas pobres árvores começam a dar folha. Sem raízes instaladas no solo, não conseguirão alimentar de água e sais as folhas que começam a despontar. Daqui para a frente será um declínio rápido aquele que espera os lódãos por plantar que começarem a tentar cobrir-se de novas folhas. Estas morrerão rapidamente. Um desperdício de vitalidade, um desperdício de dinheiro.
Dois lódãos Celtis australis tombados contra sapatas de betão, por cima de tubos, iniciam a emissão de nova folhagem do ano. Uma promessa de vida que será cortada rapidamente pela negligência a que estão sujeitas.

É este o símbolo de uma intervenção que clama ser pela saúde das árvores? Fiquei muito triste no Sábado quando vi estas árvores assim. Custa ver uma árvore jovem, cheia de potencial de vida, maltratada e empurrada para a morte quase certa. Bolas, é assim tão difícil fazer as coisas bem feitas?

domingo, 4 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sem pré-aviso.



Foi no dia 1 de Abril mas infelizmente não é mentira.

Ontem dia 1 de Abril, suponho que ao fim da tarde, sem que tivesse sido publicado qualquer aviso, e sem, ao que se saiba, qualquer autorização da AFN, foi abatida mais uma emblemática árvore no interior do Jardim.
Esta figueira Ficus macrophyla não consta sequer no rol das 62 das árvores a abater. Foi agora, e só agora - quase um mês após o prazo estipulado para o fim das obras - abatida, porquê? É certo que esta árvore há anos que não dava folhas, mas os competentíssimos técnicos da CML que fizeram o levantamento do arvoredo do Jardim não a marcaram para abate, e com boas razões.
Apesar de não reverdescer esta árvore pela sua localização e porte era fundamental na bela composição do topo NE do Jardim em redor do monumento a França Borges.
É isto a 'requalificação' do Jardim?

Planta,...desplanta II




Terá sido a notícia publicada aqui que levou alguém a dar ordens para 'desplantar' os lódãos que tinham sido plantados junto ao lago? Ou trata-se tão só de mais um exemplo do desnorte com que esta desastrada e desastrosa intervenção num jadim histórico e romântico no coração da Lisboa está a ser conduzida?
Esperemos que este 'desplante'  seja um sinal que afinal não serão plantados lódãos no interior do Jardim.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

'Não serão plantados lódãos no interior do jardim.'

Um lódão

Outro

Um terceiro lódão

Um quarto lódão

e um quinto lódão

O Vereador José Sá Fernandes terá afirmado, quando questionado sobre este assunto pela jornalista Ana Clotilde Correia da Lusa, que não serão plantados lodãos no interior do jardim. No entanto, e como infelizmente vem sido habitual nesta obra, aquilo que é dito e aquilo que é feito são coisas completamente distintas.

Como os Amigos do Príncipe Real temiam, e para tal alertaram, levando a jornalista da Agência Lusa a questionar o Vereador sobre o assunto, as robínias que o projecto da CML previa plantar ilegalmente e que se viu forçada a substituir - não sem antes criticar a lei em vez de pedir desculpa pela sua incompetência - foram substituídas por mais lódãos Celtis australis, ver fotos anexas. É mais uma pedra neste projecto de des(re)qualificação do Jardim França Borges.

Se os lódãos usados no alinhamento já não são as árvores que melhor podiam contribuir para a identidade romântica deste jardim, o seu uso no coração do mesmo, em redor do lago, é a afirmação do facilitismo, o assumir frontalmente a vontade de o descaracterizar e banalizar.

Note-se que a alteração ao projecto não foi submetida à aprovação de nenhuma das entidades responsáveis pelo o que ali se passa: AFN e Igespar. E terá sido esta alteração ao projecto sequer adicionada pela CML ao seu projecto ou entrámos em gestão directa, sabe-se lá por quem, re-afirmando o completo desprezo pelas formalidades legais evidenciado nesta obra?

Mas seja quem for o responsável pelo que ali se passa, o Vereador Sá Fernandes é que parece não ser porque ou não sabe o que são lódãos ou não tem qualquer controlo sobre os acontecimento, denotando ter sido, há muito, ultrapassado pelos serviços da CML e pelo empreiteiro da obra. Um Rei Consorte a quem todos acenam mas a quem ninguém presta qualquer atenção.

É fácil querer deixar marca nos jardins de Lisboa. Não há dúvidas que, como elefante numa loja de cristal, a marca do Vereador Sá Fernandes é bem visível por muitos dos jardins da Capital. À boleia de combater o desmazelo de anos, estas intervenções nos jardins gozaram, inicialmente, da boa vontade de muitos. Mas conforme Lisboa se vai tornando uma capital mais careca, os seus jardins miradouros e pontos de vista, sem recantos nem privacidade, apercebemo-nos que a tentação da obra 'feita' superou a humildade necessária para respeitar a natureza dos espaços, sem imposições de modas de arquitectura paisagista minimalistas que escondem um desconhecimento vasto das plantas e denotam uma incapacidade de trabalhar o material vegetal com mestria. Os jardins transformam-se em terreiros, os canteiros em calçadas.

Um verdadeiro restaurador sai meritoriamente invisível do seu restauro. E, infelizmente, no caso do Jardim França Borges, a única coisa que parece estar a tornar-se invisível é o próprio jardim.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Planta,...desplanta.

Local de onde foram 'desplantados' dois lódãos recém plantados

Poucos dias após o abate dos 4 Populus x canadensis, as árvores designadas por P1, P2, P3 e P4 na informação do LPVVA, foram plantados os novos lódãos nesses exactos locais. Ora a razão apontada pela AFN para o abate da P2 e P3 era a de estarem em 'competição' com uma das 3 figueiras classificadas.
A esse propósito, a nota colocada pelos 'Amigos' no dia 26 de Março terminava assim: 'Será que os lódãos não vão crescer e entrar eles também em concorrência com a figueira? Ou será que daqui a 15/20 anos serão também abatidos?'
Terá sido por causa desta nota que os lódãos plantados no lugar da P2 e da P3 foram retirados, desplantados, no dia 29 de Março? Ou é só mais uma prova do desnorte com que esta desastrosa intervenção tem vindo a ser conduzida?

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pequenas podas?




Como se pode ler no Fax enviado pela AFN à CML, a AFN autoriza o empreiteiro, entre outras acções, a efectuar 'pequena cirurgia de ramos secos e de alguns ramos delgados, mal orientados em todo o arvoredo do jardim'.

Na realidade a autorizada 'pequena cirurgia de ramos secos e de alguns ramos delgados' concretizou-se num enorme desbaste em praticamente todas as árvores e arbustos do jardim, ficando o jardim ainda mais transparente e menos sombrio.

As fotos acima ilustram essa 'pequena cirurgia' de ramos secos e delgados 'mal orientados' na única Taxus baccata existente no jardim.


sexta-feira, 26 de março de 2010

A AFN, a CML e o abate de árvores.




Segundo se depreende do texto do Fax enviado pela Autoridade Florestal Nacional (AFN) em 8 de Fev. de 2010 à CML, ver imagem anexa ou reprodução em formato pdf aqui, a AFN aprova o abate dos dois choupos designados por P2 e P3 na 2ª informação nº 441 do Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida (LPVVA) de 5 de Janeiro, por concorrerem com uma das Ficus macrophylla. Ora a CML abateu não só esses dois choupos como também o P1 e o P4, não tendo sido esse abate expressamente autorizado pela AFN como manda a lei, visto essas árvores se encontrarem dentro do raio de respeito das árvores classificadas. O facto do LPVVA ter aconselhado o abate dos Populus x canadensis P1, P2 e P4 não dispensava a CML de requerer autorização à AFN para o abate da P1 e da P4. Esta omissão está na origem da informação à população, emitida pela Junta da Freguesia das Mercês, na qual só se referem as três árvores referenciadas como de 'perigosidade alta' pelo LPVVA.
Mais uma vez se verifica a falta de cuidado dos serviços responsáveis da CML por esta intervenção em todo este processo.
Mas a própria AFN merece ser criticada na medida em que, sabendo nós que ela só tem acompanhado as intervenções no coberto vegetal do Jardim a partir 2 de Dezembro de 2009, após o abate das 40 árvores de alinhamento e das 9 no interior do Jardim, dá a entender no primeiro parágrafo 'No seguimento das obras de reabilitação do Jardim do Príncipe Real a decorrer, as quais tem tido por parte da Autoridade Florestal Nacional devido acompanhamento técnico, informo ...' que terão acompanhado a intervenção desde o início, o que não se verificou, como é notório e sabido.
Ainda mais se estranha que a AFN se desobrigue de acompanhar a par e passo os trabalhos de poda que recomenda - a propósito, abater árvores também se inclui nestes trabalhos de poda? - porque a empresa que vai realizar esses trabalhos lhe merece confiança, se estranha também que a AFN mande abater essas duas árvores por concorrerem com a figueira classificada, mas permita a plantação de dois lódãos no exacto local dessas duas abatidas. Será que os lódãos não vão crescer e entrar eles também em concorrência com a figueira? Ou será que daqui a 15/20 anos serão também abatidos?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Rua da Mãe de Água


Em Novembro de 2008 foram abatidas as três árvores monumentais que encimavam o primeiro lance de escadas da rua da Mãe de Água:


Foto de Ernst Schade de Novembro 2008


Foto de Ernst Schade de Novembro 2008

agora estacionam lá carros:

Foto de Março 2010

e temos a vista para o vale da Av. da Liberdade desimpedida:

Foto de Março de 2010

Afinal o prof. Catarino tem razão: do Príncipe Real tem-se vistas fabulosas, assim se cortem as árvores todas.