domingo, 9 de maio de 2010

Não se fizeram estudos de impacto social, económico ou cultural.


Equipamento que existia junto à estátua de Mestre Lagoa Henriques.

Jogando às cartas.

Bancos e mesas corridos que existiam junto ao parque infantil.

Almoçando e jogando.

Equipamento removido. Terá ido para o lixo?

O novo equipamento é igual ao existente no jardim do Torel.

As novas mesas.

Banco individual e suporte de pés existente no jardim do Torel.
http://cheirar.blogspot.com/2010_03_01_archive.html)

Quem se der ao trabalho de ler o Caderno de Encargos do processo relativo à 'requalificação' do jardim do Príncipe Real, pode ler a pgs. 36 e seguintes que dado que se trata de uma obra sem complexidade relevante não se justificaram realizar estudos de impacto social, económico ou cultural.
Dessa insensibilidade para os aspectos socioculturais e económicos decorre o facto de não se ter considerado realizar a 'requalificação' por sectores, preferindo-se fechar todo o jardim por largos meses e a substituição do equipamento de suporte e lazer que servia uma população local envelhecida e empobrecida por um equipamento de lazer que irá(?) servir uma camada social de outro tipo.
Referimo-nos, como as imagens documentam, à substituição das mesas e bancos existentes junto ao parque infantil e junto à escultura do Mestre Lagoa Henriques, em memória do 1º centenário da morte de Antero de Quental, que eram utilizadas pelos muitos reformados da zona para os seus jogos de cartas e dominó.
Esses compridos bancos e mesas eram também utilizados como apoio aos almoços de trabalhadores e dos alunos das inúmeras excursões escolares que visitam o Museu da Ciência, que assim desfrutavam com segurança, sob o atento olhar dos seus prof. acompanhantes, a sua refeição no calmo ambiente do jardim.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

380 mil euros e 6 meses depois.


Foto de Thomas de 2009.10.20 ©Thomas*

Fotos de 2010.05.07

Amanhã dia 8 de Maio perfazem-se 6 (Seis) meses desde o início da pomposa 'requalificação' do jardim do Príncipe Real, cujo fim ainda não está à vista. Seis meses e 380 mil euros depois (serão só 380 mil ?) cabe perguntar se valeu a pena.
A foto do alemão Thomas, tirada a 20 de Outubro de 2009, semanas antes do início da intervenção, acho que fala por si.

* Fonte: http://picasaweb.google.com/lh/photo/VN-dBpoTjuShWASyktqlpw

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O triste fim de algumas das laranjeiras de Alvalade

Em Novembro de 2009, não foram só as árvores do Jardim França Borges que foram alvo de assalto. Também as últimas 18 laranjeiras da Praça de Alvalade foram retiradas, deixando a praça exposta à intempérie e sol. Não sobrou uma árvore. Nem antigas, nem novas. Nem uma. Eram lindas essas laranjeiras e embelezavam e ajudavam a proteger aquela praça e quem por lá passa.

Algumas destas laranjeiras foram trazidas para a Calçada da Patriarcal. Mas, assim como nas obras ainda em curso no Jardim França Borges se transplantou de forma incorrecta uma palmeira, levando à sua imediata morte e remoção, também no caso das laranjeiras o sucesso do transplante está a ser baixo. A verdade é que o transplante de uma árvore adulta e estabelecida deve ser evitado, e a fazer-se deve ser muito bem pensado e escrupulosamente executado. Não basta a vontade dos homens em movimentar árvores adultas de um lado para o outro como se de bonecos se tratassem para assegurar o sucesso do transplante.

Aqui estão as laranjeiras passados alguns meses: em sete, duas mortas, duas a definhar. 50% de mortalidade em meio ano. Quantas ainda estarão vivas passado o próximo Verão? E quantos dos lodãos plantados no Jardim chegarão à idade adulta? Receio que muitos, devido ao desrespeito pelas mais simples regras de arboricultura a que se viram sujeitos, não sobrevivam ao primeiro Estio, apesar de serem árvores muito resistentes. Espero estar enganado.

As laranjeiras de Alvalade levadas para a Calçada da Patriarcal em Dezembro de 2009.

domingo, 2 de maio de 2010

Já só faltam seis!



Plantem-nos, já!

Dois meses depois de terem desembarcado no Príncipe Real já só falta plantar estes 6 lódãos. Isto é o que se chama planificar para requalificar. Que seria destes pobres lódãos se as coisas tivessem sido entregues a amadores?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Autoridade Florestal Nacional afirma que era necessário um parecer prévio.













Saiu no DN de hoje dia 30 de Abril, ver acima ou aqui, um importante artigo da autoria da jornalista Fátima Almeida, onde se pode ler, entre outras informações, que a AFN reconhece publicamente que a CML teria de lhe ter solicitado um parecer prévio sobre as obras que pretendia levar a cabo no Jardim do Príncipe Real. Parecer  que a CML achou desnecessário requerer. A AFN só a 2 de Dezembro, a seguir ao polémico abate indiscriminado das árvores do alinhamento e de 9 árvores no interior do Jardim,  é que passa a intervir no Jardim. 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Rega gota a gota.

então...e eu? Não tenho direito a uma Gota?

terça-feira, 27 de abril de 2010

As robínias que por lá havia...

Fotos das robínias Robinia pseudoacacia que sobreviveram ao abate e que estão agora a florir. A floração das robínias é vistosa e bonita. Mas nunca mais o interior do jardim será inundado por estes generosos e fragrantes cachos brancos que antes rodeavam o lago central. Não sobreviveram ao ímpeto requalificante. E devido ao seu carácter invasor não podem ser replantadas.

Fica a memória, reavivada no lado Oeste da Praça do Príncipe Real por algumas robínias de alinhamento que ainda lá estão.

PS- Dizem por aí que a inclusão da robínia na lista de plantas invasoras que não se pode plantar é um erro. Mas não é. Logo ali ao lado, no Jardim Botânico da Politécnica, as robínias são um problema. Assim como no Jardim Botânico da Ajuda existem várias robínias espontâneas. O que mostra haver razões reais para não poderem ser plantadas, mesmo em espaço urbano.

domingo, 25 de abril de 2010

Tempos houve.

Houve tempos em que a vegetação junto ao lago era luxuriante:

Vista do Lago com candeeiro a gás. Foto de Nunes Garcia, início do Séc. XX, retirada do Arquivo da CML,

Vista do Lago com candeeiro a gás. Foto de Joshua Benoliel, 1911, retirada do Arquivo da CML,



E hoje? Hoje é - vai ser - rarefeita:


terça-feira, 20 de abril de 2010

Reservatório da Patriarcal

Cronologia - Foi construído entre 1860-1864.



Historial
Também conhecido por Jardim da Patriarcal e Jardim França Borges, o Jardim do Príncipe Real está situado na Praça do Príncipe Real. Esta Praça / Jardim tem no subsolo um reservatório de água, o Reservatório da Patriarcal, construído para o abastecimento à chamada 7ª colina de Lisboa e envolvendo também a parte da baixa, o sítio do Loreto, a Praça Luís de Camões e a zona do Chiado. Uma das suas três galerias vai dar ao conhecido “Chafariz do Vinho”. A obra foi projectada pelo Engenheiro-Inspector francês conhecido pelo nome de Mary. Com o sistema de abastecimento de água do Alviela, esta importante estrutura foi desactivada, mudando da função original para outras: assim esta surpreendente unidade do Museu da Água passou a dar apoio a eventos sócio-culturais, depois de ter sido reaberta como estrutura patrimonial. Nesse contexto, o espaço livre, à volta do tanque (reservatório propriamente dito), tem servido para diversas funções sociais e culturais, levadas a efeito sob o chão de quem se passeia no exterior a fruir uma sombra, a ler o jornal, ou simplesmente a deixar fluir o tempo, observando as aves que por ali brincam e procuram abrigo na copa das árvores ou algum alimento deixado por quem frui deste belo espaço lisboeta.


Fonte do texto: http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/