sábado, 12 de junho de 2010

O fantasma das robínias volta para assombrar o jardim

Nas últimas semanas, as antigas robínias que existiam à volta do lago têm dado novos sinais de vida, apesar de há muito terem sido prematuramente cortadas.
Canteiros à volta do lago central do jardim, com dezenas de rebentos de Robinia pseudoacacia, antes de terem sido arrancados pelos serviços de manutenção.

Como já aqui se escreveu, a Robinia pseudoacacia é uma espécie de árvore invasora cuja plantação está interdita - e bem - em Portugal. Ao cortar estas robínias a CML armou uma situação que agora precisará de muito acompanhamento para ser despoletada.

Isto porque não é possível - ou é muito difícil - eliminar o sistema radicular das antigas robínias. Uma vez cortado os troncos principais, estas raízes deixam de ter controladores e tentam tornar-se plantas independentes. Para isso enviam dezenas de rebentos aéreos, todos capazes de se tornar em novas plantas, mostrando o seu carácter invasor: corta-se uma, obtém-se dezenas.
A altura dos rebentos de Robinia pseudoacacia, alcançada em duas semanas, e o seu número ilustram bem a capacidade invasora desta espécie e mais do que justificam que seja proibida a sua plantação em Portugal, apesar de técnicos da CML terem afirmado publicamente que esta proibição era um erro.

Esta primeira remessa de rebentos já foi cortada pelos serviços de manutenção do jardim. E muito bem. Espero é que aprendam de uma vez por todas com a experiência - já que se recusaram a aceitar a ciência -  que a robínia é de facto invasora e que quem duvidava do carácter invasor da robínia perceba porque é que a sua plantação é ilegal em Portugal.

Os custo de manutenção do jardim acabaram de aumentar. Vão ter que cortar muitos rebentos de robínia, espalhados no tempo. O melhor é aceitar-se de vez a lei e não se plantarem mais robínias em Lisboa, ou noutros locais.

sábado, 5 de junho de 2010

Espaço Cultural das Mercês

Arrecadação antes da recuperação.

A Junta da Freguesia das Mercês (JFM) fez um bom aproveitamento da arrecadação de utensílios de jardinagem que existia por baixo dos Ladeirões do Príncipe Real.
A este novo espaço chamou de 'Espaço Cultural das Mercês'


O interior, não muito espaçoso - a enorme porta faz esperar um espaço maior - está muito bem concebido.

Área terrea.

Como o pé direito era bastante alto o espaço foi dividido em altura tendo sido criada uma sobreloja por cima da área térrea.

Sobreloja.


Outros aspectos da sobreloja.

O aspecto menos conseguido deste arranjo são os azulejos que revestem as paredes da escada de acesso à sobreloja.



Actualmente exibe-se neste espaço uma colecção 'postais' de um artista canadiano.


Seria interessante que a JFM informasse os fregueses e restantes cidadãos do programa de ocupação deste espaço cultural e se esse programa revistirá aspectos comerciais e em que condições é esse espaço cedido com essa finalidade.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Isto é o que se chama esbanjar o nosso dinheiro.

Os dois espaços verdes que existiam a poente do jardim foram calcetados a pretexto de permitirem que a feira de produtos biológicos, que se realiza aos Sábados, permanecesse no Príncipe Real no decurso das obras no jardim.

Os dois espaços verdes a poente do jardim. A feira funciona só no marcado a vermelho.

Apesar de as obras no jardim terem sido anunciadas meses antes, o calcetamento do espaço marcado a vermelho na planta supra só se iniciou dias antes do Sábado, 7 de Novembro, que precedeu o início das obras, a 9 de Novembro de 2009.
Na noite de Sexta para Sábado esse calcetamento foi concluído à pressa e à chuva às 5h da manhã, sob a luz de holofotes.
É óbvio que ficou um trabalho muito mal feito, mas com certeza bastante caro.

Semanas mais tarde a 2ª área verde sofreu a mesma sorte. Foi também calcetada.

A 2ª área verde antes do calcetamento, mas já com forçada degradação.


Vista das duas áreas ex-verdes, agora calcetadas e com pilaretes metálicos.

Calcetamento da 2ª área ex-verde após o arranque de uma pequena palmeira.

Aspecto do piso da 1ª área ex-verde após um dia de chuva.

Os calcetamentos foram tão mal feitos que tiveram de ser refeitos parcialmente por três vezes no decurso destes 7 meses, a última das quais dias antes da inauguração do jardim.
Estes trabalhos não estiveram a cargo da empresa que entretanto 'cuidava' do jardim.

Mas eis que a CML entrega agora - pouco mais de uma semana depois de ter mandado, pela 3ª vez, recalcetar parcialmente o piso das duas ex-área verdes - à mesma empresa a quem adjudicara a obra do jardim o recalcetamento integral das duas áreas ex-verdes.

Recalcetamento em curso das duas áreas ex-verdes.

Recalcetamento em curso das duas áreas ex-verdes.


Cabe então perguntar à CML quanto é que esta brincadeira custou/custa aos nossos bolsos. Sim, convém não esquecer que quem paga estes desmandos somos nós.


terça-feira, 1 de junho de 2010

Pó, muito pó.

Foto de A. Lourenço, publicada no Cidadania Lisboa em 1 de Junho.

Uma das críticas que mais se começa a ouvir em relação ao novo formato do jardim tem a ver com o novo piso. Este novo piso - quer pelas suas características, quer pela maneira como foi realizado, quer por ambas - apresenta uma camada superior, de alguma espessura, completamente desagregada e muito fina, que, em dias de um vento um pouco mais forte, dá origem a nuvens de pó, como a documentada na foto de A. Lourenço, publicada aqui.
Muito deste pó acaba por assentar na vegetação, principalmente na mais rasteira, e irá contribuir para a sua lenta mas segura 'asfixia'.
Mas não só. Quem caminha no jardim, mesmo em dias de calmaria, verifica que o seu calçado adquire uma patine esbranquiçada, desse mesmo pó.
Os pulmões dos frequentadores mais assíduos também não devem gostar muito de respirar este pó de materiais em que um dos componentes contém micro partículas de vidro.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Bebedouro e outros restauros.


Como o responsável pela vereação fala agora em restauro do Jardim aqui ficam dois exemplos e um pormenor anedótico de equipamentos exemplarmente restaurados.

1º exemplo. O bebedouro.

Bebedouro antes da intervenção. © José Chamusco; foto tirada meses antes da intervenção.
Bebedouro antes da intervenção. © José Chamusco.
Este bebedouro devia ter duas conchas. Só tem a superior.

Bebedouro após a intervenção.



Onde está o restauro?

2º exemplo. Casa do jardineiro/guarda.

Casa do Jardineiro, agora. Onde está o restauro?
Casa do Jardineiro, agora. Onde está o restauro?

Pormenor anedótico. 'Novo' por fora velho por dentro.





quinta-feira, 27 de maio de 2010

As laranjeiras mortas.

Das sete transplantadas só uma ainda resiste.
Esta já está completamente morta.
As outras 5 também já estão mortas.

A 5 de Maio o Rui Pedro deu aqui nota que as laranjeiras transplantadas de Alvalade para a Calçada da Patriacal estavam em perigo de vida, se nada fosse feito. Nada foi feito e hoje das 7 laranjeiras só uma é que ainda resiste. As outras 6 já estão mortas.
Uma nota triste no dia em que se iniciam 4 dias de comercial festa no Príncipe Real.


In DN (27/5/2010)

Afinal a mão de obra é barata.

Caldeira a reparar.

As duas áreas verdes a poente do jardim foram calcetadas no início da intervenção no jardim. Esse calcetamento, feito à pressa, foi mal feito. Desde então já foi reparado três vezes, a última das quais dias antes da inauguração.
Lembrou-se agora a CML de reparar as caldeiras das árvores desse alinhamento poente. E, já agora, como a ISS Plantiagro ainda tinha algumas das suas belas máquinas estacionadas no local, entrega-se a essa empresa mais esse trabalhinho.

Uma das máquinas que ficou no Príncipe Real já depois da inauguração.

E como os carros estacionados não deixam que esta bela máquina chegue até às caldeiras, vai-se por cima do calcetamento, com os resultados que estão à vista:

Só exitem marcas do rodado que andou em cima do calcetameto recente. O calcetamento antigo, o do passeio, esse aguentou bem o peso da máquina.

mas não há problema. A mão de obra é, pelos vistos, barata.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ainda sobre a "inauguração"


Referida em notícias como a comentada 2 posts antes (imagem acima), tenho por mim que:

É claro que a iluminação que lá estava era horrorosa. Mas perdeu-se, a meu ver, a oportunidade para colocar em vez destes candeeiros a imitar antigos, antigos de verdade, do séc. XIX, provenientes do abate que a CML tem promovido no Bairro da Calçada dos Mestres.

É claro que o pavimento estava esburacado e era feio, e tudo o resto estava partido. Mas a CML errou ao insistir na poeirada "à la" terreiro de São Pedro de Alcântara. Ontem foi a prova dos nove: era pó por todo o lado. Aliás, se a CML tivesse intervindo somente a nível do aprumo do jardim, substituindo os pavimentos, recuperando as caldeiras e as grelhas, colocando candeeiros de época e recuperando o tal de "mobiliário urbano", revigorando os canteiros com flores, recuperando o pavihão do jardineiro, substituindo apenas as árvores doentes (que nem chegavam à dezena), não teria havido um protesto que fosse.

É claro que o desenho do jardim foi respeitado. Seria escandaloso se assim não fosse.

É claro que o jardim perdeu sombra e ganhou luz. Mas alguém sabe de facto o que irá acontecer às fabulosas árvores do miolo da placa central uma vez perdida a sombra que as envolvia, desde a bordadura da placa? E, por favor, senhores da CML, plantem árvores junto ao quiosque da esquina com a Rua do Século: aquilo está um DESERTO!!!

Mas a CML, em vez disso, decidiu dar guerra a meia centena de choupos, sãos e doentes, refugiando-se em motivos fitossanitários, quando apenas os tinha para uma dezena delas, quando o verdadeiro motivo era porque decidiu que o choupo não era para ali. Com ou sem razão, fez mal. E voltou a fazer mal não intervindo de forma faseada, como aconselham os princípios por que se regem os jardins históricos. Pior, foi dizer que tinha pareceres do IGESPAR, do LPV e da AFN antes da intervenção, quando não os tinha. E isso foi mau, sob todos os pontos de vista. Este caso do Príncipe Real vem na senda de outros, como do ainda mais gravoso do Campo Pequeno e é pena que assim seja. E, por favor, não tratem as pessoas como burras ou manietáveis, muito menos pela CML; nos dias que correm isso é altamente contraproducente.

domingo, 23 de maio de 2010

Bety Boop.


A Bety Boop que residia há longos anos no jardim, junto ao lago, foi escondida com o rabo de fora. Fotos tiradas em 2010.05.22


Na noite de Sexta para Sábado, dia da inauguração, alguém se lembrou de mandar tapar a Bety Boop. Mas a emenda é pior do que o soneto.
Assim vai andando a requalificação, ou será antes o restauro do jardim?