sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Meia hora de chuva intensa.

Antes da 'requalificação' do jardim só havia um ponto crítico na drenagem das águas pluviais:

Aqui era o único ponto crítico, em termos de drenagem, antes da 'requalificação'

Agora não só se conservou esse ponto crítico como se multiplicaram por todo o jardim essas bolsas de água, como se pode observar pelas fotos que foram tiradas cerca de três horas depois da forte, mas de curta duração, chuvada que caiu por volta das 15h:





Como está agora o antigo ponto crítico.

Não restam dúvidas que também neste aspecto se pode e deve falar numa 'requalificação' do jardim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mais uma que estava inclinada.

Há umas semanas atrás quem frequenta o jardim das Amoreiras e/ou o museu Vieira da Silva/Arpad Szenes, deparou-se com mais este corte, mesmo em frente ao museu :


Qual a razão que leva os serviços da Câmara Municipal de Lisboa a estes constantes abates?
A árvore estava doente? Não, obviamente. Apresentava perigo de queda iminente? Não, obviamente.
Então porque a cortaram? Porque cresceu mal!
Cresceu inclinada, coitada. E embora a inclinação se apresentasse para o lado de dentro, para o lado da relva, nunca se sabe, e quem tem cu tem medo, e mais vale prevenir do que remediar, e, pelo sim pelo não, mais vale cortar.

Foto antes do corte (fonte: Google Street view).

Felizmente noutras paragens não se segue a 'escola' de Lisboa:

Árvore super inclinada no parque do palácio de Charlottenburg, Berlim.

A árvore nas fotos supra - e não é a única neste parque a apresentar forte inclinação - está assim há largos anos, que eu possa testemunhar.
O jardim e parque foi alvo de uma recuperação recente - como se pode ver pelo novo piso - mas os temerosos técnicos do parque não consideraram ser de cortar esta e outras árvores com inclinações semelhantes. Porquê? Não receiam por em perigo a vida de pessoas e animais? Com certeza que sim, que esse perigo foi avaliado. E avaliar não é olhar para ela, é verificar, quantificar o perigo de ruptura mecânica segundo normas e procedimentos próprios.
Ora a questão que se tem de colocar aos nossos reputados técnicos camarários é se avaliaram o perigo de queda da árvore na praça das Amoreiras. Ou se se limitaram a olhar para ela e disseram: está um bocado inclinada, pelo sim pelo não o melhor é cortá-la.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Estragos do vendaval e outros.

O vendaval do passado domingo provocou a queda de muitos ramos das árvores do jardim:


sendo o de maior porte este desta sophora japonica:



Mas pior do que os estragos naturais são os onde a mão humana, de uma maneira ou de outra, não está isenta de culpas:

aqui esteve uma tília nado-morta.

A primeira baixa nos lódãos de alinhamento.

O decepado.

O de pescoço partido.


Estes são só alguns exemplos dos estragos não naturais que se podem observar no jardim ao fim de alguns meses após a sua 'requalificação'.

sábado, 2 de outubro de 2010

Lá não como cá.

Stuttgart 21 é um projecto que consiste na demolição da antiga estação central dos caminhos de ferro de Estugarda para dar lugar a uma nova e moderníssima estação. Este projecto tem contado com um forte movimento de opinião contra por várias razões que não cabe aqui reportar.
Acontece que o estaleiro para apoio à obra vai ser instalado numa parte do Schloß Garten (Jardim do Palácio), jardim que é contíguo à estação central, ver infogravura,


Schloß Garten. A vermelho, zona a ocupar pelo estaleiro

o que implica o abate de uma série de árvores. As árvores a abater foram previamente marcadas, e a razão do seu abate amplamente publicitada e explicada. Mas isso não demoveu o movimento contra o projecto Stuttgart 21 de constituirem comités de defesa do parque.





Sequência do abate de uma das árvores.


Esse abate processou-se durante a noite de 30 de Setembro, com feroz oposição dos grupos de defesa do parque


Manifestante gritando: Scham Euch! (Tenham vergonha!)

Membro da 'Inciativa Defensores do Parque'


e provocou uma enorme onda de indignação da população que se manifestou no dia seguinte:




Oben Bleiben!*


Manifestação que foi fortemente reprimida pela polícia:


com canhões de água e sprays de pimenta


provocando muitos feridos entre crianças, jovens e seniores. A desproporcionada e violenta intervenção da polícia foi criticada no Bundestag - o parlamento alemão - pelos partidos da oposição que aí a colocaram em debate.

Moral do episódio: para defesa de um parque - embora no contexto mais amplo de contestação a um projecto de transformação urbana - a população de uma cidade - crianças, jovens, adultos e seniores - une-se e insurge-se não temendo enfrentar a forte e ameaçadora força policial.

Quão longe está ainda a nossa consciência e activismo cívico da destes cidadãos de Estugarda.

* 'Oben Bleiben', poderá ser neste contexto ser traduzido, livremente, por 'Mantenham-nas (as árvores) de pé.'

Fonte: ARD, Tagesschau, das 20h, do dia 1 de Outubro, ver aqui.

domingo, 26 de setembro de 2010

2ª visita guiada

A 2ª visita guiada ao jardim, desta vez promovida pela Loja de História Natural e integrada nas Jornadas Europeias do Património, decorreu, como anunciado, na tarde de Sábado 25 de Setembro, das 16h às 17h30.
Uma vez mais Rui Pedro Lérias mostrou-se um guia de altíssimo saber e pedagógico valor, capaz de manter bem viva a atenção dos participantes durante o percurso pelas diversas espécies arbóreas que ainda subsistem no jardim, património vegetal da nossa cidade que urge preservar e defender das ameaças que sobre ele impendem. Muitas dessas valiosas espécies mostram preocupantes sinais de velhice precoce e stress abiótico, aos quais as recentes obras não são de todo alheias.



Mais fotos da visita podem ser vistas em:

http://picasaweb.google.com/antelo.jorge/PrincipeReal#

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O encontro para a segunda visita ao Jardim França Borges é...

... debaixo deste maravilhoso Cedro-do-Buçaco Cupressus macrocarpa, Sábado, 25 de Setembro de 2010, às 16.00.


Esta será uma de muitas árvores a visitar.

Sábado é também dia de Jardim Botânico!


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

2ª Visita Guiada

Enquadrada no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2010 e promovida pela Loja de História Natural terá lugar no próximo Sábado, dia 25, pelas 16h a 2ª visita guiada ao Jardim.
O ponto de encontro é junto ao Cedro-do-Buçaco solicitando-se ao interessados que façam uma pré-inscrição, para efeitos de controlo do nº de participantes, deslocando-se à Loja de História Natural, à Rua Monte Olivete, nº 40, das 13h30h às 20h, ou enviando um pedido por correio electrónico para  info@lojadehistorianatural.com

Para mais informação consultar http://lojadehistorianatural.blogspot.com/



As Jornadas terão início com uma visita guiada ao Jardim Botânico, promovida pela Liga dos Amigos do Botânico, logo pela manhã de Sábado, seguida de debate sobre o impacto que o Plano de Pormenor para o Parque Mayer terá no Jardim Botânico, prolongando-se ainda para Domingo, 26, novamente no Jardim Botânico.
Mais informação aqui e aqui.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

É preciso participar no PP Parque Mayer


A documentação está em http://ulisses.cm-lisboa.pt/data/002/004/index.php?ml=1&x=pmayer.xml, foi aprovada com bastantes condicionantes (CCDR-LVT, IGESPAR, DRC-LVT) e todos quantos são amigos do Príncipe Real devem pronunciar-se sobre o Plano de Pormenor do Parque Mayer. Em força. A não falhar!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Resultados do inquérito de satisfação online.

Terminou a 31 de Agosto a votação no inquérito online - aqui ao lado direito* - que pretendeu estimar o grau de satisfação dos frequentadores e utentes do Jardim França Borges após as transformações que este jardim sofreu recentemente.

O inquérito incidiu na apreciação global do estado do jardim e em 3 importantes aspectos do mesmo, a saber: Vegetação; Equipamento e Piso.

Em relação à apreciação global verificaram-se um total de 111 votos dos quais 21 ( 19% ) se pronunciaram no sentido de uma melhoria geral,  81 ( 73% ) acham, pelo contrário, que o aspecto geral do jardim piorou,  e 9 ( 8% ) acham que não melhorou nem piorou.

Em relação à Vegetação verificaram-se um total de 81 votos dos quais 21 ( 18,5% ) se pronunciaram no sentido de uma melhoria, 62 ( 76,5% ) acham, pelo contrário, que a vegetação do jardim piorou, e 4 ( 5% ) acham que não melhorou nem piorou.

Em relação ao Equipamento verificaram-se um total de 74 votos dos quais 19( 26% ) se pronunciaram no sentido de uma melhoria, 30 ( 40% ) acham, pelo contrário, que o equipamento do jardim piorou, e 25 ( 34% ) acham que não melhorou nem piorou.

Em relação ao Piso verificaram-se um total de 78 votos dos quais 9 ( 11,5% ) se pronunciaram no sentido de uma melhoria, 65 ( 83,3% ) acham, pelo contrário, que o piso do jardim piorou, e 4 ( 5,1% ) acham que não melhorou nem piorou.

Estes resultados merecem-nos a seguinte análise:

1- O item com mais votos é o da Apreciação Global, 111, contra 81, 74 e 78 nos outros três restantes. O facto de a Apreciação Global ter sido mais votada pode ter a ver com a incapacidade de alguns dos votantes apreciarem os outros aspectos em consideração e, ou, não se terem apercebido que além do primeiro item havia, mais abaixo, mais outros três para serem apreciados;

2 - Em todos os itens, com a excepção do Equipamento, os votantes expressam um claro desagrado pelo actual estado do jardim. No Equipamento embora a maioria se pronuncie desfavoravelmente há um maior equilíbrio entre os votos sim e não;

3 - O item onde a desaprovação é mais acentuada é sem dúvida o do Piso, 83% de votos contra. A Vegetação recebe também um claro não, 76,5%, e a Apreciação Global também é muito negativa, 73%;

4 - Os votantes que acham que a intervenção não valeu a pena são aqueles que acham que ou ficou pior ou que não ficou pior nem melhor, uma vez que uma intervenção destas, tão pesada em custos, tempo e desconforto para os utentes, só faria sentido se no fim tivesse havido uma clara qualificação do jardim.

Agrupando então a votação em dois grupos, os que acham que valeu a pena porque ficou melhor, e os que acham que não valeu a pena porque ficou pior ou não ficou nem melhor nem pior, obtém-se um ainda maior repúdio dessa intervenção.
As votações alcançam então valores negativos em relação à intervenção muito expressivos: Apreciação Global - 81%; Vegetação - 81,5%; Equipamento - 70%;  Piso - 88%;



Junto apresentamos o resumo da votação e alguns gráficos:




Apreciação global: 3 escolhas.

Apreciação global: 2 escolhas.

Vegetação: 3 escolhas.

Vegetação: 2 escolhas.

Equipamento: 3 escolhas.

Equipamento: 2 escolhas.


Piso: 3 escolhas.

Piso: 2 escolhas.

Conclusões:

A sondagem vale o que vale, mas valendo o que vale mesmo assim não deixa de ser significativa na não apreciação quer global quer específica das transformações que a Câmara Municipal de Lisboa efectuou no Jardim França Borges, vulgo Jardim do Príncipe Real.
Em particular o repúdio em relação ao actual piso é quase absoluto, mas também é muito significativa a opinião negativa sobre o estado actual da vegetação bem como o aspecto geral do Jardim após a intervenção.

* esteve aqui ao lado até 19 de Setembro.