quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A primeira vítima?

Este ulmeiro está morto ou em vias disso:

Rui Pedro Lérias e os participantes da 2ª visita junto ao ulmeiro moribundo...

...que fica situado na orla Norte do Jardim, mesmo em frente à paragem da Carris.

Mas antes da intervenção aparentava estar de boa saúde:

Foto da orla Norte, meses antes da intervenção, com o ulmeiro enquadrado. (© José Chamusco)

Imagem do Ulmeiro meses antes da intervenção. (Fonte: Google Street View)

Aliás se estivesse já doente não se compreenderia que não tivesse sido marcado para abate pelos competentes serviços da Câmara, pois não é verdade que as árvores abatidas estavam 'todas doentes ou tinham crescido mal' ?

Mas a que se deve então esta inesperada morte?
Não terão tidos estes profundos roços:


abertos rente às árvores, para a passagem dos cabos eléctricos da nova iluminação, nada a ver com esta morte prematura? Nós achamos que sim. Que estas valas não estarão isentas de culpas na morte deste Ulmeiro e de outras árvores do Jardim que se lhe seguirão.

Mas o Ulmeiro tem descendência:

Rui Pedro com um rebento do Ulmeiro (clicar na imagem para aumentar).

Com estes rebentos os antigos jardineiros faziam crescer novas árvores sem precisar de as adquirir nos viveiros nacionais ou estrangeiros.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Afinal ele tem razão!


Interrogado por um órgão da comunicação social sobre o que é que a Câmara pensava fazer face aos protestos dos utentes em relação ao pó que o piso do Jardim origina, o vereador José Sá Fernandes afirmou que dentro de poucos meses, após as primeiras chuvadas, esse problema ficaria resolvido per se.
Na verdade o Sr. Vereador tem toda a razão. Vejam só o que aconteceu à camada superficial do piso, após as fortes chuvadas dos últimos dias:

E tudo a chuva levou.

Reparem no piso entre as linhas vermelhas: perdeu a camada superficial, ficou careca.

A caldeira está a cheia, a deitar por fora, da 'areia' do piso.

...e a calçada também...
...e lá vai ela rua abaixo.

Ora se o nosso querido vereador estava tão seguro e certo do efeito que a chuva teria no piso podia ter-nos poupado a meses de pó. Bastava ter requerido aos bombeiros sapadores que com as suas potentes mangueiras se antecipassem à chuva e removessem toda essa camada superficial do piso.
E por favor, Sr. Vereador, quando, com o uso, a camada que agora ficou à superfície por sua vez se desagregar não espere pela chuva: peça aos bombeiros que tratem do assunto.

sábado, 9 de outubro de 2010

Acabou-se o pretexto.

O pretexto avançado pela CML para a destruição das duas áreas verdes existentes na praça do Príncipe Real, a poente do Jardim, foi o de permitir transpor a feira de agricultura biológica para essas áreas durante a intervenção no jardim.
A destruição desses dois espaços verdes não estava contemplada no projecto de 'requalificação' do jardim como se pode ver, p.ex, no croquis divulgado pela Câmara:

As duas áreas verdes a poente mantém-se, no projecto, verdes.
Na legenda, no canto inferior direito, lê-se : Feira biológica; Local provisório.

Acontece que a feira só ocupou uma das áreas, não se percebendo pois a razão da destruição da outra área. Acontece também que o vereador José Sá Fernandes, questionado em várias ocasiões sobre o assunto, referiu que o calcetamento realizado não era irreversível e que logo que a feira voltasse para a anterior localização a reposição dos espaços verdes seria repensada.
Nunca acreditamos nisso, até porque a verdadeira explicação do calcetamento dessas duas áreas verdes nos foi dada por uma responsável da Câmara: a Câmara não tem meios para manter as áreas verdes da cidade. Assim, logo que surge um pretexto, elimina-as.

A feira da agricultura biológica voltou desde Sábado passado para a sua localização inicial:



É então altura de perguntar ao sr. vereador José Sá Fernandes: quando é que se decidem a repor - a requalificar - os dois espaços verdes que tão lamentavelmente foram destruídos?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Meia hora de chuva intensa.

Antes da 'requalificação' do jardim só havia um ponto crítico na drenagem das águas pluviais:

Aqui era o único ponto crítico, em termos de drenagem, antes da 'requalificação'

Agora não só se conservou esse ponto crítico como se multiplicaram por todo o jardim essas bolsas de água, como se pode observar pelas fotos que foram tiradas cerca de três horas depois da forte, mas de curta duração, chuvada que caiu por volta das 15h:





Como está agora o antigo ponto crítico.

Não restam dúvidas que também neste aspecto se pode e deve falar numa 'requalificação' do jardim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Mais uma que estava inclinada.

Há umas semanas atrás quem frequenta o jardim das Amoreiras e/ou o museu Vieira da Silva/Arpad Szenes, deparou-se com mais este corte, mesmo em frente ao museu :


Qual a razão que leva os serviços da Câmara Municipal de Lisboa a estes constantes abates?
A árvore estava doente? Não, obviamente. Apresentava perigo de queda iminente? Não, obviamente.
Então porque a cortaram? Porque cresceu mal!
Cresceu inclinada, coitada. E embora a inclinação se apresentasse para o lado de dentro, para o lado da relva, nunca se sabe, e quem tem cu tem medo, e mais vale prevenir do que remediar, e, pelo sim pelo não, mais vale cortar.

Foto antes do corte (fonte: Google Street view).

Felizmente noutras paragens não se segue a 'escola' de Lisboa:

Árvore super inclinada no parque do palácio de Charlottenburg, Berlim.

A árvore nas fotos supra - e não é a única neste parque a apresentar forte inclinação - está assim há largos anos, que eu possa testemunhar.
O jardim e parque foi alvo de uma recuperação recente - como se pode ver pelo novo piso - mas os temerosos técnicos do parque não consideraram ser de cortar esta e outras árvores com inclinações semelhantes. Porquê? Não receiam por em perigo a vida de pessoas e animais? Com certeza que sim, que esse perigo foi avaliado. E avaliar não é olhar para ela, é verificar, quantificar o perigo de ruptura mecânica segundo normas e procedimentos próprios.
Ora a questão que se tem de colocar aos nossos reputados técnicos camarários é se avaliaram o perigo de queda da árvore na praça das Amoreiras. Ou se se limitaram a olhar para ela e disseram: está um bocado inclinada, pelo sim pelo não o melhor é cortá-la.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Estragos do vendaval e outros.

O vendaval do passado domingo provocou a queda de muitos ramos das árvores do jardim:


sendo o de maior porte este desta sophora japonica:



Mas pior do que os estragos naturais são os onde a mão humana, de uma maneira ou de outra, não está isenta de culpas:

aqui esteve uma tília nado-morta.

A primeira baixa nos lódãos de alinhamento.

O decepado.

O de pescoço partido.


Estes são só alguns exemplos dos estragos não naturais que se podem observar no jardim ao fim de alguns meses após a sua 'requalificação'.

sábado, 2 de outubro de 2010

Lá não como cá.

Stuttgart 21 é um projecto que consiste na demolição da antiga estação central dos caminhos de ferro de Estugarda para dar lugar a uma nova e moderníssima estação. Este projecto tem contado com um forte movimento de opinião contra por várias razões que não cabe aqui reportar.
Acontece que o estaleiro para apoio à obra vai ser instalado numa parte do Schloß Garten (Jardim do Palácio), jardim que é contíguo à estação central, ver infogravura,


Schloß Garten. A vermelho, zona a ocupar pelo estaleiro

o que implica o abate de uma série de árvores. As árvores a abater foram previamente marcadas, e a razão do seu abate amplamente publicitada e explicada. Mas isso não demoveu o movimento contra o projecto Stuttgart 21 de constituirem comités de defesa do parque.





Sequência do abate de uma das árvores.


Esse abate processou-se durante a noite de 30 de Setembro, com feroz oposição dos grupos de defesa do parque


Manifestante gritando: Scham Euch! (Tenham vergonha!)

Membro da 'Inciativa Defensores do Parque'


e provocou uma enorme onda de indignação da população que se manifestou no dia seguinte:




Oben Bleiben!*


Manifestação que foi fortemente reprimida pela polícia:


com canhões de água e sprays de pimenta


provocando muitos feridos entre crianças, jovens e seniores. A desproporcionada e violenta intervenção da polícia foi criticada no Bundestag - o parlamento alemão - pelos partidos da oposição que aí a colocaram em debate.

Moral do episódio: para defesa de um parque - embora no contexto mais amplo de contestação a um projecto de transformação urbana - a população de uma cidade - crianças, jovens, adultos e seniores - une-se e insurge-se não temendo enfrentar a forte e ameaçadora força policial.

Quão longe está ainda a nossa consciência e activismo cívico da destes cidadãos de Estugarda.

* 'Oben Bleiben', poderá ser neste contexto ser traduzido, livremente, por 'Mantenham-nas (as árvores) de pé.'

Fonte: ARD, Tagesschau, das 20h, do dia 1 de Outubro, ver aqui.

domingo, 26 de setembro de 2010

2ª visita guiada

A 2ª visita guiada ao jardim, desta vez promovida pela Loja de História Natural e integrada nas Jornadas Europeias do Património, decorreu, como anunciado, na tarde de Sábado 25 de Setembro, das 16h às 17h30.
Uma vez mais Rui Pedro Lérias mostrou-se um guia de altíssimo saber e pedagógico valor, capaz de manter bem viva a atenção dos participantes durante o percurso pelas diversas espécies arbóreas que ainda subsistem no jardim, património vegetal da nossa cidade que urge preservar e defender das ameaças que sobre ele impendem. Muitas dessas valiosas espécies mostram preocupantes sinais de velhice precoce e stress abiótico, aos quais as recentes obras não são de todo alheias.



Mais fotos da visita podem ser vistas em:

http://picasaweb.google.com/antelo.jorge/PrincipeReal#

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O encontro para a segunda visita ao Jardim França Borges é...

... debaixo deste maravilhoso Cedro-do-Buçaco Cupressus macrocarpa, Sábado, 25 de Setembro de 2010, às 16.00.


Esta será uma de muitas árvores a visitar.