quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Mais um atropelo.

Já aqui por várias vezes nos referimos e criticamos as alterações que a embaixada dos Emiratos Árabes Unidos introduziram na fachada, e no telhado traseiro, do prédio que ocupam na Praça do Príncipe Real sem que qualquer atitude por parte de quem de direito tenha sido tomada, que se saiba.
Mas o que vem agora ao conhecimento público ultrapassa todo o que é imaginável de atropelos à legalidade e à boa vizinhança:

"Nessa denúncia, dirigida ao presidente do município, diz-se que as obras (que incluem uma caixa de elevador e um barracão de metal que tapam janelas e uma porta do imóvel do denunciante) "não foram sujeitas a controlo prévio municipal, situação que comporta uma manifesta violação das normas urbanísticas vigentes". O representante legal do proprietário, José Miguel Júdice, afirma que foram "desrespeitadas, de modo cabal, regras elementares de construção" consagradas no Regulamento Geral das Edificações Urbanas, bem como o Plano Director Municipal. O advogado acrescenta outra acusação: a de que a embaixada efectuou as obras em terrenos que não são seus, mas sim do denunciante, o promotor imobiliário libanês Nabil Aouad. E este, sublinha José Miguel Júdice, não autorizou a sua realização. Tudo isto, conclui-se, "consubstancia uma inflamada violação do direito português em geral e do direito do urbanismo/ordenamento do território e do património cultural aplicável em particular"."

in: http://www.publico.pt/local-lisboa/jornal/vizinho-da-embaixada-dos-emirados-arabes-pede-demolicao-de-obras-ilegais-27187542#/1



Bom senso e bom gosto (sobre uma barraca no Príncipe Real)


In Público (3.10.2013)
Por João Appleton

«Lisboa é uma cidade especial, linda para mim, que sou lisboeta, alfacinha mesmo, daqueles que lhe amam as virtudes e lhe perdoam os defeitos com uma ponta de um sorriso, como sucede sempre a quem ama.
Lisboa é a minha cidade, o meu lar, como era de Pessoa, e nela me revejo dia a dia, nas planuras e nas colinas, nas ruas estreitas e nas largas, e nos largos, nas praças onde se juntam e cruzam as gentes, ontem como hoje vindas de qualquer lado, de todos os lados.
Em todos os cantos de Lisboa há histórias e há História, e a Praça do Príncipe Real não foge à regra. Nos tempos mais antigos era a Cotovia, na passagem do Loreto para Campolide, ali no topo do Bairro Alto de São Roque, onde chegam e de onde saem caminhos, para a Praça das Flores de um lado e para a da Alegria do outro e mais para a rua que se chamou Formosa e que infelizmente deixou de o ser, a benefício de um jornal que já não é.
No Príncipe Real, muito antes de assim se designar, que ainda vinha longe quem lhe deu o nome, fizeram-se as intermináveis e não terminadas obras do Conde de Tarouca. Ali foi também o sítio da Patriarcal Queimada, de que resta memória em nome de rua estreita, e mais o Erário Régio, tudo enorme e fracassado - elefantes brancos como hoje se diria.
Depois de tantas histórias, quantas delas por lá enterradas, a Praça ganhou, em meados de oitocentos, a configuração que hoje tem: quase ao centro, sob as árvores, o belo reservatório da patriarcal e, a dar sombra a quem a quer, o enorme Cedro-do-Buçaco que é talvez a sua principal referência actual.
Aí estão o reservatório, o cedro e os edifícios que rodeiam a Praça, estes sem megalomanias mas distintos, quase todos especiais, invulgar harmonia na diversidade, de onde sobressaem pequenos palácios ou palacetes, como lhes chamamos, questão de escala que se ajusta à nossa dimensão.
Esses edifícios, cada um por si, no seu conjunto e mais o sítio, fazem desta uma das mais importantes e belas praças de Lisboa. Bela para ser amada e para ser cuidada, porque amar é cuidar, para respeitar, por todos, dos poderes públicos ao mais anónimo dos cidadãos, lisboetas e visitantes de hábito e de ocasião, passando pelos que detêm ou usam os seus magníficos edifícios.
As longas palavras anteriores são uma espécie de declaração de interesses, dos meus interesses, há muitos anos ligados ao património arquitectónico, ao respeito por este e pelo que representa como referência do nosso passado e, através deste, como ponte para o futuro do nosso destino comum. Acredito nisto, porque acredito que não há futuro sem memória, e não há memória sem património, sem patrimónios.
Por isso me escandaliza, me choca e me indigna o que vi feito ali mesmo, no Príncipe Real, na sua margem poente, quase à ponta. Que as embaixadas podem ser vizinhança dura, não deve surpreender, em tempos de todas as inseguranças, polícias e outros guardas à porta, dificuldades crescentes para quem quer parar carro ou simplesmente passear, que o diga quem caminha ali pela Rua de S. Bernardo à Lapa, onde o espaço público deixou de o ser por inteiro.
Mansos como somos, até aí tudo bem, é virar a cara perante os carrancudos ou fazer desvio que quase não pesa. Mas, ver tapar janelas de um vizinho, construindo um mono encostado a uma fachada, não é próprio de embaixada, no caso a dos Emirados Árabes Unidos, é coisa que nem em bairro de barracas, que aí respeita-se o vizinho e os seus direitos, mesmo quando estes são quase nenhuns.
Não lembra a ninguém, mas foi original a embaixada, ou quem a dirige. Nem água vai, nem água vem. Nada! Foi só apropriação de espaço e foi montar o mamarracho - um telhadozinho mixuruca, alumínios e vidros à maneira de um prédio de subúrbios (sem ofensa para o subúrbio, qualquer que seja, que me desculpem os ofendidos).
E, como os tubos de queda e as caleiras da casa do vizinho incomodavam, percebe-se olhando que foi fácil cortar ali, dar uma martelada mais além, tudo no sítio. A janela de sacada, que ali está há muitas dezenas de anos, foi entaipada a preceito - entende-se como é desagradável deixar que o vizinho possa usar a porta a seu gosto - e até, para garantir a limpeza da obra, uns cabos para alimentar não sei o quê, toca de os fixar à cantaria da fachada do vizinho, mesmo que a parede não lhe pertença.
É claro que se dirá que a questão é jurídica, que o pedaço do pátio será da embaixada, qual será do vizinho; até pode ser que a questão seja jurídica, quem sou eu para o dizer, mas para mim é de bom senso e de bom gosto, ou melhor, neste caso concreto é de falta de senso e de profundo mau gosto. E de falta de respeito. Pelo vizinho e, perdoe-me o vizinho, pelo belo edifício, que esse, pobrezinho, é que não tem culpa nenhuma.
Esta é uma história, entre muitas histórias de agressão ao património; verdadeira como muitas dessas que engolem o nosso passado, por ganância ou simples mas terrível ignorância.
Até talvez possamos falar de casos verdadeiramente importantes, quando comparados com a singeleza deste, apesar de tudo reversível. A mim, o que mais me chocou, pode parecer estranho, é que tudo isto não tem lógica, não tem qualidade, é simplesmente lixo.
Até quando, até onde, vamos continuar a olhar para o lado, deixando passar o que nos devia incomodar?

Engenheiro»

...

O mais interessante é que o principal emir dos EAU estará em Portugal esta semana, para ser empossado como membro da Academia das Ciências. É a altura certa para lhe fazer ver que há profunda contradição entre o estatuto e a obra na sua embaixada.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ACUSAMOS!


Um dos mais graves erros de que enfermou a 'requalificação' do Jardim França Borges, vulgo Jardim do Príncipe Real, foi a escolha do seu novo piso. Como previmos e alertamos atempadamente essa foi uma péssima escolha. O pó que produz, e o vidro moído é um dos materiais que este piso contém, é o mais grave dos problemas que o presente piso apresenta, mas não é o único. Logo pouco após a inauguração das obras de 'requalificação', do Jardim em Maio de 2010, um abaixo assinado que recolheu mais de 300 assinaturas de cidadãos utentes do Jardim exigiu a substituição desse piso, sem resposta e sem sucesso. Um ano depois, face ao crescente desagrado e desconforto provocado pelo piso a pessoas, plantas e animais a tutela levou a cabo uma tentativa de eliminar o pó 'regando' o piso com uma solução química agregadora da camada superficial do piso, ver imagem abaixo. Mas essa solução, bastante dispendiosa, não resistiria senão poucos meses ao natural uso do piso pelos passeantes.
Surge agora no sítio da CML dedicado ao Orçamento Participativo, OP, a repavimentação do Jardim como uma das escolhas dos cidadãos para as obras a realizar no âmbito desse OP.
Ora, louvando embora a atitude dos cidadãos que, preocupados com a péssima qualidade do piso do Jardim, e aproveitando o evento da 'Árvore da Participação' (ver imagem) propõem a sua substituição por outro tipo de piso mais adequado à sua função, não podemos deixar de denunciar a atitude hipócrita da vereação dos espaços verdes e ao colocar à votação pública essa proposta sem assumir a sua enorme e exclusiva responsabilidade no caso.
Na realidade a escolha deste piso foi uma escolha política e pessoal do actual titular da pasta, o vereador José Sá Fernandes, contra o parecer dos próprios técnicos que tutela.
Já aquando da solução acima referida da cola agregadora a tutela agiu como se nenhuma responsabilidade tivesse tido no caso, dando a entender que estaria a tentar resolver um problema que outros, que não ela, tinham criado.
Ora o facto é que a tutela dos espaços verdes da CML é a única e exclusiva responsável pela teimosia na escolha do piso do Jardim, que agora, hipocritamente, permite vir a ser repavimentado no âmbito do OP.
Não podemos aceitar isso de modo nenhum. Exigimos que a CML assuma as suas responsabilidades no caso e efectue a repavimentação do piso do Jardim, mas não em detrimento de outros projectos que o limitado OP venha a financiar, mas sim a expensas do orçamento próprio atribuído ao departamento dos espaços verdes.
É caso também para indagar porque é que a vereação dos espaços verdes não exige do empreiteiro a assunção das suas falhas e reparação das mesmas, caso entenda, como se depreende das suas tomadas de posição públicas, que a escolha do tipo de piso foi a correcta e adequada e todos os problemas que têm surgido se devem a uma defeituosa execução do piso.


'Os Amigos do Príncipe Real'


* Infelizmente aplicado também noutros espaços, como no terreiro de S. Pedro de Alcântara.


'Estamos a Trabalhar para Eliminar as Poeiras'!

A 'Árvore da Participação'


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Liquidambares.

Os Liquidambares que foram plantados em redor do lago em substituição das Robínias abatidas não tem tido grande sucesso. Com excepção de um deles todos os outros se mostram pouco esperançosos. A CML não se tem poupado a esforços de os ir substituindo à medida que 'falecem' mas mesmo estes dois agora recém plantados não parecem vir a vingar:

Estes dois esguios Liquidambares vem substituir outros dois que aqui tinham sido plantados há poucos meses um dos quais 'faleceu' pouco depois, ver aqui,  e o outro um pouco mais tarde. Será que o solo está nesta zona do jardim contaminado por algum produto aplicado aquando da 'requalificação'?

domingo, 8 de setembro de 2013

'Cedro do Buçaco'...outra vez.

Já aqui se fizeram inúmeras referências ao estado lastimoso em que se encontra este ícone do Jardim. As intervenções que a CML tem realizado para suster a degradação deste valioso espécime tem tido pouco sucesso como as fotografias que agora publicamos ilustram.  Mas há outra razão para a publicação destas fotos recentes. É que o lado do Cedro que está voltado para o exterior do Jardim se mostra muito mais seco e envelhecido do que o lado voltado para o interior do Jardim:
As imagems acima documentam o lado voltado para o exterior do Jardim.

As imagems abaixo documentam o lado voltado para o interior do Jardim.

A diferença entre os dois lados é notória. O lado exterior aparece bastante mais seco e com grandes manchas de folhas já mortas. Pelo contrário, no lado interior o verde é mais vivo e não se notam as manchas de folhas mortas que sobressaem no lado exterior.
Estranho? Talvez não se nos lembrarmos dos alertas que aqui foram deixados sobre a falta que as árvores de alinhamento e a figueira fizeram para a protecção deste Cupressus lusitanica.


domingo, 4 de agosto de 2013

Lódão abatido, Araucaria decapitada.

E 'prontos': Sexta-feira resolveu-se o problema do Lódão e da Araucaria:

com uma grua e uma moto serra não há problema que resista!

O resultado das operações:

O jardim está cada vez mais bonito e cuidado!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Se me enchessem de pó...

Todas as crianças sabem que as plantas respiram pelas suas folhas. Mas será que os responsáveis pelos espaços verdes desta cidade, e deste Jardim em particular, também o saberão? É que, a julgar pelo que acontece aqui, parece que desconhecem esse facto tão elementar quão fundamental para a vida de uma planta:

Uma folha antes e depois de ser limpa do pó.

As árvores e plantas deste jardim há mais de três anos que respiram...PÓ.




domingo, 28 de julho de 2013

Censura à Vereação do Ambiente Urbano, Espaços Verdes e Espaço Público.


A Vereação do Ambiente Urbano, Espaços Verdes e Espaço Público merece ser censurada pela desastrada  intervenção que levou a cabo no Jardim do Príncipe Real e pela continuada recusa em assumir e corrigir, na medida do possível, os erros cometidos. Alguns desses erros, embora à custa de grandes gastos e fortes incómodos para os utentes e habitantes da zona, são reversíveis, como é o caso do piso do Jardim.

Outros, infelizmente, não tem reparação possível. É o caso das agressões ao coberto arbóreo.
Para além do abate de árvores em bom estado de saúde, o descuidado modo como foram realizadas as obras, com o uso de maquinaria pesada, abertura de profundos roços junto às árvores, tem tido gravosas consequências na saúde de grande número de exemplares do jardim, como aqui se tem vindo a dar nota.
Infelizmente a degradação não pára. O grande lódão que se encontra no topo Norte do Jardim, defronte ao Palacete Ribeiro da Cunha, que tinha já sido alvo do corte de uma pernada, será agora abatido. Este imponente lódão encontrava-se em perfeito estado de saúde antes da intervenção, como o atesta o facto de, após inspecção pelos serviços camarários, não ter sido incluído na lista de árvores a abater ou a tratar. Mas pouco tempo após as obras uma das suas pernadas começou a mostrar sinais de rotura pelo que foi cortada. Os roços, ver foto anexa, que foram efectuados junto a essa árvore não terão sido alheios a esse facto. Mas a árvore continuou a ressentir-se desses mau tratos, pelo que irá agora ser abatida segundo a nota camarária que nela se encontra afixada. Irá ser substituída, afirma a mesma nota. Seja, mas quantos anos teremos nós, terão todos os utentes deste Jardim, de esperar para voltar a ter preenchido de verde e de sombra todo o espaço que agora ficará vazio? Tudo isto teria sido evitável tivesse havido da parte desta vereação mais respeito e cuidado ao lidar com este, outrora, romântico Jardim.

 O lódão antes das obras.
O roço aberto rente ao lódão
os primeiros sinais de rotura da pernada logo após as obras.
o corte da pernada.





quarta-feira, 17 de julho de 2013

Estado de algumas árvores do Jardim.


Uma das pretensas razões para a desastrada e dispendiosa intervenção que foi feita no Jardim em 2009 foi a do estado das árvores do jardim muitas das quais estariam doentes. A que temos assistido após essa intervenção, que tinha como um dos seus mais importantes propósitos revitalizar a coberto arbóreo do Jardim? A uma acelerada degradação desse coberto arbóreo, como temos vindo a documentar. Aqui se deixam mais alguns exemplos dessa degradação:



terça-feira, 16 de julho de 2013

Infanticídio

O que terá levado a que este jovem lódão tenha sido tão barbaramente decepado? Estaria doente?


Não vimos nehum aviso afixado na jovem árvore alertando-nos para a iminência do seu sacrifício nem para as razões que justificariam essa condenação à morte.