Assunto:
Projecto
de estacionamento subterrâneo no Príncipe Real / Reclamação em
prol das Boas Práticas
Exmo.
Senhor Provedor de
Justiça
Professor
Doutor José Francisco de Faria Costa
Somos
a apresentar queixa a Vossa Excelência, e aos Serviços que tutela,
pela situação que se está a desenrolar no Jardim do Príncipe
Real, em
Lisboa, à margem dos moradores da zona e, por conseguinte, à
revelia das boas práticas e do modelo de governança participativa
que devia ser apanágio da Câmara Municipal de Lisboa, em relação
ao qual, aliás, esta se diz empenhada praticante.
Com
efeito fomos completamente surpreendidos, face à ocorrência de
sondagens pela empresa espanhola
Empark,
no Jardim do Príncipe Real - trabalhos já amplamente divulgados
pela comunicação social e que tem em vista o arranque da construção
de um parque de estacionamento subterrâneo no local - uma vez que
tal projecto nunca foi debatido em reunião de CML, nem em reunião
de AML, nem muito menos em sede de Assembleia de Freguesia, pelo
rápido avançar dos preparativos com vista à construção desse
parque subterrâneo.
Assim,
Considerando
as notícias vindas a público dando conta dessa nova realidade,
referindo existir agora uma nova versão do antigo projecto de
estacionamento subterrâneo, objecto de arquivamento há mais de 10
anos (“arquivado” face à forte contestação dos moradores e aos
pareceres desfavoráveis emitidos na altura pelo então IPPAR,
pareceres que sempre considerámos “definitivos”);
Considerando
que esta nova versão estará já “autorizada” por três
Vereadores do anterior executivo camarário (Arq. Manuel Salgado,
Eng. Nunes da Silva e Dr. Sá Fernandes), dependendo o arranque das
obras neste momento apenas dos novos pareceres da DGPC (ex-IPPAR),
que estarão para breve;
E
considerando que:
1.
No centro do Jardim do Príncipe Real, existe a Patriarcal, peça
central do sistema de condutas que compõe o Aqueduto das Águas
Livres e Monumento Nacional (Decreto n.º 5, DR n.º 42 de 19
Fevereiro 2002); e que todo e
qualquer projecto de construção de estacionamento subterrâneo, com
menor ou maior profundidade ou aproximação, além de atentar sobre
ele, impedirá uma futura candidatura do Aqueduto a Património da
Humanidade, candidatura, aliás, para a qual apontava a Recomendação
aprovada recentemente pela Assembleia Municipal de Lisboa por
unanimidade
(http://partidodaterra-mpt.blogspot.pt/2014/02/recomendacao-apresentada-pelo-deputado_19.html),
representando a construção do parque de estacionamento, uma
contradição da própria CML;
2.
No referido jardim, se encontram várias espécies arbóreas
protegidas, já que classificadas como de Interesse Público, pelo
que nada pode ser aprovado sem o parecer favorável do Instituto de
Conservação da Natureza;
3.
A construção do referido parque terá fortes repercussões em
termos de trânsito e mobilidade na zona, afectando desde logo os
moradores, pelo que serão precisos estudos de impacto de trânsito
para que uma obra deste tipo seja construída;
4.
Tão importante quanto os pontos anteriores e dada a forte polémica
aquando do anúncio da construção do parque, há 13 anos, e que
levou, em primeira mão, a que a ideia fosse abandonada até …
agora;
Solicitamos,
por isso, a Vossa Excelência, Senhor Provedor, que
diligencie junto da CML, e das demais entidades (DGPC, ICNF, AML e
Junta de Freguesia da Misericórdida), no sentido de apurar:
1.
Quando
é que foi aprovado pela CML semelhante projecto, por quem e em que
sede; qual o grau de envolvimento das várias entidades, e quais os
estudos técnicos que o suportam (impacte na rede radicular das
árvores, impacte de tráfego automóvel) e pareceres técnicos que o
autorizam;
2.
Quais
as razões por não ter sido o referido projecto objecto de
apresentação e discussão públicas, dado o seu carácter, a
polémica e a contestação de há 13 anos, e, sobretudo, porque a
não existência desse debate é um desrespeito claro pelas "boas
práticas" europeias de que a CML é signatária.
Melhores
cumprimentos
Pelos
Amigos do Príncipe Real
Jorge
Pinto
















