sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Autoridade Florestal Nacional afirma que era necessário um parecer prévio.













Saiu no DN de hoje dia 30 de Abril, ver acima ou aqui, um importante artigo da autoria da jornalista Fátima Almeida, onde se pode ler, entre outras informações, que a AFN reconhece publicamente que a CML teria de lhe ter solicitado um parecer prévio sobre as obras que pretendia levar a cabo no Jardim do Príncipe Real. Parecer  que a CML achou desnecessário requerer. A AFN só a 2 de Dezembro, a seguir ao polémico abate indiscriminado das árvores do alinhamento e de 9 árvores no interior do Jardim,  é que passa a intervir no Jardim. 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Rega gota a gota.

então...e eu? Não tenho direito a uma Gota?

terça-feira, 27 de abril de 2010

As robínias que por lá havia...

Fotos das robínias Robinia pseudoacacia que sobreviveram ao abate e que estão agora a florir. A floração das robínias é vistosa e bonita. Mas nunca mais o interior do jardim será inundado por estes generosos e fragrantes cachos brancos que antes rodeavam o lago central. Não sobreviveram ao ímpeto requalificante. E devido ao seu carácter invasor não podem ser replantadas.

Fica a memória, reavivada no lado Oeste da Praça do Príncipe Real por algumas robínias de alinhamento que ainda lá estão.

PS- Dizem por aí que a inclusão da robínia na lista de plantas invasoras que não se pode plantar é um erro. Mas não é. Logo ali ao lado, no Jardim Botânico da Politécnica, as robínias são um problema. Assim como no Jardim Botânico da Ajuda existem várias robínias espontâneas. O que mostra haver razões reais para não poderem ser plantadas, mesmo em espaço urbano.

domingo, 25 de abril de 2010

Tempos houve.

Houve tempos em que a vegetação junto ao lago era luxuriante:

Vista do Lago com candeeiro a gás. Foto de Nunes Garcia, início do Séc. XX, retirada do Arquivo da CML,

Vista do Lago com candeeiro a gás. Foto de Joshua Benoliel, 1911, retirada do Arquivo da CML,



E hoje? Hoje é - vai ser - rarefeita:


terça-feira, 20 de abril de 2010

Reservatório da Patriarcal

Cronologia - Foi construído entre 1860-1864.



Historial
Também conhecido por Jardim da Patriarcal e Jardim França Borges, o Jardim do Príncipe Real está situado na Praça do Príncipe Real. Esta Praça / Jardim tem no subsolo um reservatório de água, o Reservatório da Patriarcal, construído para o abastecimento à chamada 7ª colina de Lisboa e envolvendo também a parte da baixa, o sítio do Loreto, a Praça Luís de Camões e a zona do Chiado. Uma das suas três galerias vai dar ao conhecido “Chafariz do Vinho”. A obra foi projectada pelo Engenheiro-Inspector francês conhecido pelo nome de Mary. Com o sistema de abastecimento de água do Alviela, esta importante estrutura foi desactivada, mudando da função original para outras: assim esta surpreendente unidade do Museu da Água passou a dar apoio a eventos sócio-culturais, depois de ter sido reaberta como estrutura patrimonial. Nesse contexto, o espaço livre, à volta do tanque (reservatório propriamente dito), tem servido para diversas funções sociais e culturais, levadas a efeito sob o chão de quem se passeia no exterior a fruir uma sombra, a ler o jornal, ou simplesmente a deixar fluir o tempo, observando as aves que por ali brincam e procuram abrigo na copa das árvores ou algum alimento deixado por quem frui deste belo espaço lisboeta.


Fonte do texto: http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/

domingo, 18 de abril de 2010

Ouvi dizer.








estes dois lódãos continuam deitados!



Ouvi dizer que as obras iriam acabar a 25 de Abril! E ainda faltam colocar os bancos e outros equipamentos.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Uma pergunta.

Carregando uma robínia.

Na sessão pública do passado dia 16 de Dezembro de 2009 realizada na Junta da Freguesia das Mercês sobre a intervenção no jardim do Príncipe Real alguém questionou o sr. Vereador José Sá Fernandes sobre o valor e destino da madeira das árvores abatidas, sem que, da parte deste, tivesse sido obtida uma resposta satisfatória e convincente.

Que o valor dessa madeira era desprezável, nem para queima serviria, mas que com certeza essa matéria estaria contemplada no Caderno de Encargos da obra, foi, em termos gerais a resposta dada pelo sr. Verador.

Ora no jardim não foram só abatidos 44 choupos e ulmeiros cuja madeira terá algum valor como lenha para queima. Foram também abatidas no interior do jardim 10 outras árvores entre as quais 6 robínias.

O artigo de Susana Neves, ver aqui, mostra bem quão apreciada e valorizada a madeira das robínias é. Pelas suas características esta é uma madeira de grande valor para a carpintaria, marcenaria e até mesmo para a construção naval.

Resolvemos então fazer um cálculo estimativo do valor destas madeiras.

Considerando que a madeira dos 44 choupos e ulmeiros e das outras 4 árvores do interior do jardim, que não as robínias, poderia ter sido vendida como lenha para queima a 20 cêntimos o quilograma, teremos - considerando uma densidade média de 0,4 para a madeira dessas espécies, uma coluna aproveitável de 9 m de altura e raio médio de 20 cm – uma massa total de mais de 21 toneladas de lenha com um valor superior a 4 300 euros.

Para as robínias – considerando uma densidade da ordem dos 0,6, igual altura da coluna aproveitável, raio médio de 30 cm e um valor de 50 cêntimos o kg – teremos uma massa superior a 9 toneladas e um valor de perto de 4 600 euros.

Ou seja: uma estimativa por baixo indica que o valor da madeira das árvores abatidas no jardim rondará os 9 000 euros.

Se a este montante adicionarmos as mais de 4 toneladas de ferros retirados dos gradeamentos e candeeiros, cujo valor rondará os 500 euros a tonelada, teremos um valor em materiais retirados do jardim superior a 11 000 euros.

Terá sido o valor destes materiais devidamente contemplado e acautelado no Caderno de Encargos? Esta é a pergunta que gostaríamos de ver cabalmente respondida.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma tília no lugar da tília.


O que restava da tília que um vendaval tinha derrubado.

A nova tília plantada dia 8.

A nova tília plantada dia 8.

Finalmente uma boa notícia. No lugar do cepo da tília, que o vendaval de há uns anos atrás tinha derrubado, e do qual qual alguém de muito mau gosto tinha feito uma espécie de banco, foi agora plantada uma nova tília. Deo gratias!
Ave Tilia e longa vida.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Avenida das tristes.

Estes lódãos estiveram assim expostos ao sol e ao frio nocturno semanas a fio. Foto de Rui Pedro Lérias
Ontem, dia 6 de Abril, já os protegeram - mal - com um oleado.

Será que as notas soltas que vamos deixando aqui tem algum efeito nos responsáveis por esta desastrada 'requalificação' ? Se assim for ainda bem. Ontem, após a nota de Rui Pedro Lérias, os lódãos apareceram protegidos com um oleado. Do mal - estarem há um mês por plantar - o menos, pelo menos que estejam minimamente protegidos do Sol e do frio nocturno.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Um óasis verde?


Havia verdes relvas em torno do lago


Agora não vai haver mais relva.
Olaia junto ao lago. Fotografia de Lara Zee.


Olaia junto ao lago dias antes da intervenção.

onde estão as prometidas relvas?

Canteiro arrelvado já com marcas das máquinas pesadas.
O mesmo canteiro já com os arbustos que vão substituir a relva.

antes

agora

onde estão as relvas?

onde estão as prometidas relvas?

O que está a ser plantado em lugar da relva.

A pgs 128 do 'Guia dos Parques, Jardins e Geomonumentos de Lisboa' editado pela CML em Junho de 2009, pode ler-se no início do artigo dedicado ao jardim do Príncipe Real:
'Plantado entre 1859 e 1863 no cimo do Bairro Alto, em pleno Príncipe Real, este é um oásis de verdura e frescura no Verão, bem no miolo da cidade histórica, e inserido no espírito urbano de Lisboa.'
Sim de facto era essa a sensação do passeante que vindo do Chiado, atravessando o Bairro Alto, tinha ao chegar ao Príncipe Real: chegara a um oásis de verdura e frescura.
Mas não a vai ter mais. O Príncipe Real deixou de ser um jardim romântico com denso arvoredo e frescos e verdes relvados para se transformar num jardim mediterrânico, seco e desensombrado.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Uma triste farsa primaveril ...

Gil Vicente escreveria uma excelente Farsa em três actos sobre o que se passa no Jardim França Borges. Com o seu génio conseguiria certamente dar laivos de comédia ao não corta, corta, ao não planta, planta e logo desplanta, aos arrelvados que viram arbustos, enfim, à completa incompatibilidade entre o que é dito - e está no projecto - e o que é feito. Mas, infelizmente, o tratamento que tem sido dado às árvores ainda por plantar - mas já no jardim a aguardar a sua vez - nada tem de engraçado.

Já alertámos várias vezes para o abandono a que foram votados alguns lódãos-bastardos Celtis australis levados para o jardim há mais de um mês para substituir árvores cortadas nesta obra. Para que conseguissem resistir o melhor possível a este longo compasso de espera e singrar com vitalidade uma vez levadas para o seu local final, estes lódãos já deveriam ter sido envasados há muito, ou plantados provisoriamente, certamente logo após se ter percebido que não seriam plantados no local definitivo de imediato (1-2 dias). Já lá vai mais de um mês. 
 A Avenida das Tristes.

No final-de-semana de Páscoa, com a Primavera instalada, o tempo mais seco e quente, as árvores continuavam abandonadas, umas ainda tombadas, outras em fila, uma avenida de tristes. E a farsa torna-se em tragédia quando estas pobres árvores começam a dar folha. Sem raízes instaladas no solo, não conseguirão alimentar de água e sais as folhas que começam a despontar. Daqui para a frente será um declínio rápido aquele que espera os lódãos por plantar que começarem a tentar cobrir-se de novas folhas. Estas morrerão rapidamente. Um desperdício de vitalidade, um desperdício de dinheiro.
Dois lódãos Celtis australis tombados contra sapatas de betão, por cima de tubos, iniciam a emissão de nova folhagem do ano. Uma promessa de vida que será cortada rapidamente pela negligência a que estão sujeitas.

É este o símbolo de uma intervenção que clama ser pela saúde das árvores? Fiquei muito triste no Sábado quando vi estas árvores assim. Custa ver uma árvore jovem, cheia de potencial de vida, maltratada e empurrada para a morte quase certa. Bolas, é assim tão difícil fazer as coisas bem feitas?

domingo, 4 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sem pré-aviso.



Foi no dia 1 de Abril mas infelizmente não é mentira.

Ontem dia 1 de Abril, suponho que ao fim da tarde, sem que tivesse sido publicado qualquer aviso, e sem, ao que se saiba, qualquer autorização da AFN, foi abatida mais uma emblemática árvore no interior do Jardim.
Esta figueira Ficus macrophyla não consta sequer no rol das 62 das árvores a abater. Foi agora, e só agora - quase um mês após o prazo estipulado para o fim das obras - abatida, porquê? É certo que esta árvore há anos que não dava folhas, mas os competentíssimos técnicos da CML que fizeram o levantamento do arvoredo do Jardim não a marcaram para abate, e com boas razões.
Apesar de não reverdescer esta árvore pela sua localização e porte era fundamental na bela composição do topo NE do Jardim em redor do monumento a França Borges.
É isto a 'requalificação' do Jardim?

Planta,...desplanta II




Terá sido a notícia publicada aqui que levou alguém a dar ordens para 'desplantar' os lódãos que tinham sido plantados junto ao lago? Ou trata-se tão só de mais um exemplo do desnorte com que esta desastrada e desastrosa intervenção num jadim histórico e romântico no coração da Lisboa está a ser conduzida?
Esperemos que este 'desplante'  seja um sinal que afinal não serão plantados lódãos no interior do Jardim.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

'Não serão plantados lódãos no interior do jardim.'

Um lódão

Outro

Um terceiro lódão

Um quarto lódão

e um quinto lódão

O Vereador José Sá Fernandes terá afirmado, quando questionado sobre este assunto pela jornalista Ana Clotilde Correia da Lusa, que não serão plantados lodãos no interior do jardim. No entanto, e como infelizmente vem sido habitual nesta obra, aquilo que é dito e aquilo que é feito são coisas completamente distintas.

Como os Amigos do Príncipe Real temiam, e para tal alertaram, levando a jornalista da Agência Lusa a questionar o Vereador sobre o assunto, as robínias que o projecto da CML previa plantar ilegalmente e que se viu forçada a substituir - não sem antes criticar a lei em vez de pedir desculpa pela sua incompetência - foram substituídas por mais lódãos Celtis australis, ver fotos anexas. É mais uma pedra neste projecto de des(re)qualificação do Jardim França Borges.

Se os lódãos usados no alinhamento já não são as árvores que melhor podiam contribuir para a identidade romântica deste jardim, o seu uso no coração do mesmo, em redor do lago, é a afirmação do facilitismo, o assumir frontalmente a vontade de o descaracterizar e banalizar.

Note-se que a alteração ao projecto não foi submetida à aprovação de nenhuma das entidades responsáveis pelo o que ali se passa: AFN e Igespar. E terá sido esta alteração ao projecto sequer adicionada pela CML ao seu projecto ou entrámos em gestão directa, sabe-se lá por quem, re-afirmando o completo desprezo pelas formalidades legais evidenciado nesta obra?

Mas seja quem for o responsável pelo que ali se passa, o Vereador Sá Fernandes é que parece não ser porque ou não sabe o que são lódãos ou não tem qualquer controlo sobre os acontecimento, denotando ter sido, há muito, ultrapassado pelos serviços da CML e pelo empreiteiro da obra. Um Rei Consorte a quem todos acenam mas a quem ninguém presta qualquer atenção.

É fácil querer deixar marca nos jardins de Lisboa. Não há dúvidas que, como elefante numa loja de cristal, a marca do Vereador Sá Fernandes é bem visível por muitos dos jardins da Capital. À boleia de combater o desmazelo de anos, estas intervenções nos jardins gozaram, inicialmente, da boa vontade de muitos. Mas conforme Lisboa se vai tornando uma capital mais careca, os seus jardins miradouros e pontos de vista, sem recantos nem privacidade, apercebemo-nos que a tentação da obra 'feita' superou a humildade necessária para respeitar a natureza dos espaços, sem imposições de modas de arquitectura paisagista minimalistas que escondem um desconhecimento vasto das plantas e denotam uma incapacidade de trabalhar o material vegetal com mestria. Os jardins transformam-se em terreiros, os canteiros em calçadas.

Um verdadeiro restaurador sai meritoriamente invisível do seu restauro. E, infelizmente, no caso do Jardim França Borges, a única coisa que parece estar a tornar-se invisível é o próprio jardim.